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terça-feira, 23 de março de 2010

TRÊS DIAS E TRÊS NOITES (ou o “sinal” do profeta Jonas)


Por Vitor Quinta

Através deste breve estudo vamos procurar compreender o verdadeiro significado das palavras de Jesus quando disse aos discípulos que “em três dias reedificaria o Templo” (Mateus 26: 61; Marcos 14: 58; João 2: 19), referindo-se ao Seu próprio corpo que haveria de morrer e ressuscitar e, também, quando disse que não daria qualquer outro sinal a uma geração maligna senão “o sinal do profeta Jonas” (Mateus 16:4; Lucas 11:29).
Analisemos então o contexto destas passagens para podermos compreender o verdadeiro sentido das palavras de Jesus.
Mateus 12:38-40 – “Então alguns dos escribas e dos fariseus tomaram a palavra, dizendo: Mestre, quiséramos ver da tua parte algum sinal. Mas ele lhes respondeu, e disse: Uma geração má e adúltera pede um sinal, porém, não se lhe dará outro sinal senão o do profeta Jonas; pois, como Jonas esteve três dias e três noites no ventre da baleia, assim estará o Filho do homem três dias e três noites no seio da terra”.
Eis um episódio em que Jesus (apesar dos inúmeros sinais que o poder do Pai, Nele já havia produzido) é de novo tentado pelos incrédulos. Jesus responde-lhes apelidando-os de “geração má e adúltera” e dizendo que, para além dos sinais que já havia realizado, somente lhes daria o sinal do profeta Jonas – Jonas 1:17 – “Preparou, pois, YHWH um grande peixe, para que tragasse a Jonas; e esteve Jonas três dias e três noites nas entranhas do peixe”. Eis o sinal que Jesus deu.
Jesus chamou a geração do seu tempo de “geração má e adúltera” porque não quiseram saber dos preceitos de Deus; porquanto adulteraram a Palavra e os mandamentos do Altíssimo; porque distorceram a Verdade e perseguiram os enviados de YHWH. O sinal que Jesus deu foi: que o Filho do homem estaria três dias e três noites no seio da terra e depois seria ressuscitado. A incompreensão dos homens deste tempo a respeito das palavras de Jesus tornou-se bem evidente quando revelaram que Jesus se estaria a referir ao Templo de pedra e não ao corpo do Cristo: João 2:20 – “Disseram, pois, os judeus: Em quarenta e seis anos foi edificado este templo, e tu o levantarás em três dias?” Lembremos, também, que noutro momento, o Senhor Jesus também disse, referindo-se ao Seu corpo, que levantaria “aquele templo” em três dias.
Vejamos algumas passagens que fazem referência às palavras proféticas de Jesus, embora proferidas pelos incrédulos:
• Mateus 26:61 – “E disseram: Este disse: Eu posso derrubar o templo de Deus, e reedificá-lo em três dias”.
• Mateus 27:40 – “Tu, que destróis o templo, e em três dias o reedificas, salva-te a ti mesmo. Se és Filho de Deus, desce da cruz”.
• Mateus 27:63 – “Senhor, lembramo-nos de que aquele enganador, vivendo ainda, disse: Depois de três dias ressuscitarei”.
Eis pois “o sinal do profeta Jonas” a que Jesus sempre se referiu. Como diz em Marcos 14:58, Ele referia-se a um “templo” que não era feito por mãos de homens.
Agora que compreendemos qual o sinal que Jesus deu aos do Seu tempo, e para nós também, procuremos averiguar se existe algum indício na Bíblia sobre o momento em que se deu a morte e a ressurreição de Jesus, o Cristo, i.e. qual o momento em que Jesus entrou no seio da terra e qual o momento em que Ele saiu do túmulo.
Essa pista já tinha sido dada a Israel desde o princípio. Ela encontra-se em Levítico 23 e aponta para a forma e o momento em que Israel deveria celebrar “os primeiros frutos da terra”. Ao lermos Levítico 23:10-11 encontramos: “Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: Quando houverdes entrado na terra, que vos hei de dar, e fizerdes a sua colheita, então trareis um molho das primícias da vossa sega ao sacerdote; e ele moverá o molho perante YHWH, para que sejais aceites; no dia seguinte ao sábado o sacerdote o moverá”. Sabemos também que o dia a seguir a este marca o início da contagem para a celebração do Pentecostes, cinquenta dias depois – Deuteronómio 16:9.
Ora Jesus foi efetivamente o primeiro fruto, simbolicamente o molho da aveia madura (Aviv) que foi movido (oferecido) perante a face de YHWH, O primeiro a ser ressuscitado e Aquele que teve que cumprir em tudo as profecias acerca da Sua pessoa e do que aconteceria com Ele para se constituir como nosso Salvador.
O molho da aveia, logo que esta estava Aviv (madura), era cortado, de noite, para na manhã seguinte, com o seu grão já transformado em pães, serem então oferecidos a Deus. Na realidade, Jesus intitulou-se a Si próprio “o pão da vida” (João 6:35, 48), “o pão que desceu do céu” (João 6:41, 58).
Esta oferta de Si próprio perante a face do Pai, apontava, também, para a ocasião em que Jesus haveria de ressuscitar e ser apresentado ao Pai como O primeiro entre muitos irmãos que Se Lhe hão de seguir, na Sua vinda – 1.Coríntios 15:20, 23 – “Mas de fato Cristo ressuscitou dentre os mortos, e foi feito as primícias dos que dormem…Mas cada um por sua ordem: Cristo as primícias, depois os que são de Cristo, na sua vinda”.
Voltando ao tema central deste estudo, poderemos dizer que não restam quaisquer dúvidas que entre a morte de Jesus e a sua ressurreição transcorreram três dias e três noites, pois só assim se poderia confirmar, através do cumprimento desta profecia e deste “sinal” ser Ele O Cristo Salvador. Ao lermos Marcos 8:31 ficamos com uma visão muito clara deste “sinal do profeta Jonas”: “E começou a ensinar-lhes que importava que o Filho do homem padecesse muito, e que fosse rejeitado pelos anciãos e príncipes dos sacerdotes, e pelos escribas, e que fosse morto, mas que depois de três dias ressuscitaria”.
Agora, como podemos compreender a que dias da semana se reportaram estes acontecimentos? É o que vamos analisar de seguida.
Comecemos por relembrar que o dia bíblico é contado entre um pôr do sol e o pôr do sol seguinte, tal como nos dias da Criação: “e foi a tarde e a manhã, o dia primeiro”, etc. – Génesis 1:4-31. Se lermos agora o que nos diz Levítico 23:32 – “…de uma tarde a outra tarde, celebrareis o vosso sábado”, confirmamos o sistema divino que existia desde a Criação no que respeita à marcação do início e do fim de um dia. Era este o sistema que existia no tempo de Jesus e dos apóstolos e ao longo da vida do povo de Israel. Infelizmente, o sistema pagão depressa adulterou o sistema divino e, hoje, vejam bem a loucura, temos até uma contagem que marca o início de um dia à meia-noite!!! Como dizia o profeta Daniel (7:25), o sistema pagão “cuidará em mudar os tempos e a lei”.
Baseemo-nos então no relato bíblico para compreendermos que, quando as mulheres foram ao túmulo, depois do descanso do Sábado semanal, ao alvorecer do primeiro dia da semana, Domingo, já lá não encontraram o corpo do Senhor: Mateus 28:1, 5-6 – “E, no fim do sábado [i.e. ao pôr-do-sol de Sábado que marcava o início do dia seguinte, o primeiro dia da semana, o Domingo], quando já despontava o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcroMas o anjo, respondendo, disse às mulheres: Não tenhais medo; pois eu sei que buscais a Jesus, que foi crucificado. Ele não está aqui, porque já ressuscitou, como havia dito. Vinde, vede o lugar onde o Senhor jazia”. Por outras palavras, sendo ainda cedo, no primeiro dia da semana, Domingo, O Senhor Jesus já tinha ressuscitado, pois o Seu corpo já não estava no sepulcro.
João 20:1 diz-nos ainda: “E no primeiro dia da semana [Domingo], Maria Madalena foi ao sepulcro de madrugada, sendo ainda escuro, e viu a pedra tirada do sepulcro”. Este relato prova, sem margem para dúvida, que no primeiro dia da semana, Domingo, Jesus já havia ressuscitado. Agora, prossigamos, para podermos compreender que Ele foi ressuscitado no final do dia do Sábado (ao pôr do sol desse dia de Sábado), ao completarem-se os três dias e as três noites da profecia, ou do sinal de Jonas.
Esta é a verdade bíblica e não a fábula que os sacerdotes católico-romanos e outros inventaram ao longo dos séculos, criando artificialmente uma contagem que qualquer criança da instrução primária poderá desmontar – quando dizem que Jesus morreu numa Sexta-Feira, a que chamam de Sexta-Feira santa e que ressuscitou num Domingo (primeiro dia da semana) a que chamam Domingo de Aleluia. Ora, qualquer criança saberá dizer que entre uma Sexta-Feira (lembremos que Jesus morreu no madeiro à hora nona, equivalente às três horas da tarde na nossa contagem atual e que foi sepultado ao final do dia, antes que se iniciasse o Sábado grande, o primeiro dia da semana dos pães asmos) e um Domingo não decorrem três dias e três noites!
Este é mais um embuste de Satanás ao pretender dar importância ao primeiro dia da semana dedicado ao deus-sol, a Tamuz, em oposição a toda à vontade e ensinamento de Deus contido nas Escrituras. Isto evidencia o quanto o homem é rebelde à vontade de Deus.
Quando Jesus anunciou que daria somente o sinal do profeta Jonas Ele referia-se aos três dias e três noites, o que perfaz 72 horas no sepulcro, no seio da terra.
Para podermos compreender esta contagem, temos ainda que levar em consideração a existência de dois Sábados na semana em que Jesus morreu:
• O primeiro que correspondeu ao primeiro dia da semana dos pães asmos – um Sábado grande (“Sabbaton”), o dia 15 do Aviv, ou o 1º dia da semana dos pães asmos; e,
• O segundo que corresponde a um normal Sábado semanal.
A compreensão das solenidades anuais (ou dos Seus Sábados anuais) é basilar para podermos compreender o momento da semana em que Jesus foi morto e sepultado e aquele em que ressuscitou.
Aparece-nos ainda a referência à expressão “dia da preparação”. É pois importante compreendermos o que esta expressão significa. Em Israel, este dia é todo aquele que precede qualquer Sábado, quer esse seja um Sábado semanal quer seja um dos sete Sábados anuais que YHWH estabeleceu pela Sua própria vontade em Levítico 23. Assim, facilmente concluímos que o dia do sacrifício dos cordeiros (e de Jesus) aos 14 do Aviv ou Nisan era um dia da preparação para o Sábado grande, que era dia de santa convocação – o primeiro dia da semana dos Asmos. Conforme diz a Palavra de Deus, estes Sábados grandes ou anuais foram estabelecidos por estatuto perpétuo pela vontade do Altíssimo. João 19:14 é uma boa ilustração do que acabamos de dizer.
Alarguemos ainda essa compreensão ao que nos é dito em Levítico 23:5-7 – “No mês primeiro, aos catorze do mês, pela tarde, é a Páscoa de YHWH. E aos quinze dias deste mês é a festa dos pães ázimos de YHWH; sete dias comereis pães ázimos. No primeiro dia tereis santa convocação; nenhum trabalho servil fareis”. Vemos aqui, claramente, duas questões muito importantes:
1. Jesus, O Cordeiro de Deus, foi morto no dia 14 do Aviv, no “dia da preparação” para o grande Sábado anual (Mateus 27:62; Marcos 15:42; Lucas 23:54), precisamente à mesma hora em que os cordeiros do sacrifício estavam a ser oferecidos (imolados) no templo. Depois de imolados, os cordeiros eram assados com ervas amargas e comidos em família na noite seguinte (já no dia 15 do Aviv, o primeiro dia da festa dos pães asmos).
2. Este primeiro dia da semana dos asmos (15 do Aviv) era dia “de santa convocação” – um dos Sábados anuais das solenidades instituídas pelo Senhor YHWH, um “Sabbaton”, ou Sábado grande. Ler: Levítico 23:1-6.
De não menor importância é também o fato da tradição judaica impor que os que sofriam castigo de morte não podiam ficar pendurados no madeiro até ao início do Sábado (pôr-do-sol) - Mateus 27:57; Lucas 23:52-54; João 19:42, pelo que, por isso mesmo, foi determinado que fossem partidas as pernas aos que foram castigados juntamente com Jesus mas, a Jesus, os soldados não partiram as pernas porque viram que já estava morto – como já se disse, Ele expirou cerca da hora nona (três horas da tarde pela referência horária atual). Ora, o preceito bíblico impunha que aos cordeiros sacrificados na Páscoa não era permitido partir qualquer osso. Mais um sinal que Jesus era O verdadeiro Cordeiro, pois a Ele não foram quebradas as pernas.
O dia 14 do Aviv (Páscoa) não é um Sábado anual, ao passo que o dia seguinte, o primeiro dia dos asmos já o é. Em 1.Coríntios 5:7, Jesus foi chamado “a nossa Páscoa”, pois Ele foi O Cordeiro que foi oferecido, uma só vez, para remissão dos pecados dos que se arrependem e a Ele se entregam para salvação das suas almas.
Por isso, também Este Cordeiro foi sacrificado no dia 14 do Aviv ou Nissan, ao mesmo tempo que os animais do sacrifício estavam a ser mortos no Templo para serem comidos com ervas amargas na noite seguinte – já a 15 de Aviv (ou Nissan).
Este 14 do Aviv coincidiu com a nossa Quarta-Feira segundo o calendário atual.
Assim se cumprem as 72 horas, ou 3 dias e 3 noites no seio da terra, contados desde o fim do dia de 4ª Feira (14 do Aviv) até ao fim do dia de Sábado decorrem 3 dias e 3 noites. Ou seja, Jesus foi sepultado ainda com a luz do dia de 4ª Feira e ressuscitado pelo Pai no fim do dia de Sábado, antes do pôr do sol que marca o início do dia seguinte, isto é, antes que tivesse início o primeiro dia da semana, Domingo.
Podemos assim compreender a razão pela qual se diz que existiram dois Sábados na semana em que Jesus foi oferecido em holocausto como O Cordeiro de Deus.
Ao voltarmos agora a ler a passagem que está em Mateus 28:1, 5-6 e todo o contexto em que esta passagem nos é dada, vemos que as mulheres foram ao sepulcro para ungir o corpo do Senhor Jesus, mas já lá não O encontraram pois se tinham cumprido os três dias e três noites de permanência de Jesus no seio da terra, o sinal do profeta Jonas!



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