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segunda-feira, 26 de abril de 2010

Zaqueu

Por Valmir Sarmento

“Como Zaqueu” está entre as canções gospel de maior fama na atualidade. De vez em quando podemos ouvi-la em algum programa de TV ou rádio. Mas será que as pessoas já pararam para meditar a respeito da moral da história de Zaqueu?

Então vamos refletir um pouco.

E, levantando-se Zaqueu, disse ao Senhor: Senhor, eis que eu dou aos pobres metade dos meus bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguém, o restituo quadruplicado. E disse-lhe Jesus: Hoje veio a salvação a esta casa, pois também este é filho de Abraão.Lc. 19:8 e 9

Zaqueu era um homem rico. Ele era um publicano responsável pela cobrança dos impostos entre os israelitas. Ao encontrar com Yeshua, logo se dispôs a restituir tudo o que tinha roubado dos pobres: quatro vezes mais.

Por que o Mashiach diz que houve salvação na casa de Zaqueu apenas após ele dizer que realizaria esta restituição?

Entenderemos melhor se nos debruçarmos na Torah.

FALOU mais o Senhor a Moisés, dizendo: Quando alguma pessoa pecar, e transgredir contra o Senhor, e negar ao seu próximo o que lhe deu em guarda, ou o que deixou na sua mão, ou o roubo, ou o que reteve violentamente ao seu próximo, ou que achou o perdido, e o negar com falso juramento, ou fizer alguma outra coisa de todas em que o homem costuma pecar; será pois que, como pecou e tornou-se culpado, restituirá o que roubou, ou o que reteve violentamente, ou o depósito que lhe foi dado em guarda, ou o perdido que achou, Ou tudo aquilo sobre que jurou falsamente; e o restituirá no seu todo, e ainda sobre isso acrescentará o quinto; àquele de quem é o dará no dia de sua expiação. E a sua expiação trará ao Senhor: um carneiro sem defeito do rebanho, conforme à tua estimação, para expiação da culpa trará ao sacerdote; E o sacerdote fará expiação por ela diante do Senhor, e será perdoada de qualquer das coisas que fez, tornando-se culpada. Lev. 6:1 a 7

Uma vez entendido o princípio de restituição estabelecido na Lei, verificamos que Zaqueu foi além dos parâmetros que lhe era necessário para que fosse perdoado. A torah instruía que o arrependido que houvesse roubado deveria devolver o valor que furtou acrescentado de 20%. Zaqueu acrescentou 400%.

A atitude do personagem está de acordo com o sentido explicitado por Yeshua na Brit Hadashá (Novo Testamento): “se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus” (MT 5:20)

No entanto, a questão vai mais além.

De acordo com Levítico 6:1 a 7, a pessoa somente poderia alcançar o perdão após ter restituído os bens à pessoa que roubou. Depois de devolver, com o devido acréscimo, a pessoa poderia oferecer o holocausto pelo pecado.

Isso significa que sequer o sangue do cordeiro Yeshua é suficiente se nos esquivarmos de restituir nossas ofensas a nossos semelhantes.

Dado esse entendimento, podemos imaginar se todos que cantassem a música “como Zaqueu” compreendessem a densidade e a seriedade que envolve a questão dramática vivida pelo personagem bíblico. Talvez a corrupção que, mesmo diante do vertiginoso crescimento evangélico, persiste em existir em nossos dias refletisse em números o arrependimento da grande massa que insiste em defraudar os bens dos semelhantes – incluindo aqui o patrimônio público.

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