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domingo, 19 de dezembro de 2010

Devemos celebrar o Ano Novo ʻSecularʼ?

Por Shaʼul Bentsion


 


 


 

I - Introdução


 

"    Desde os primórdios, as Escrituras nos advertem a não adotarmos os costumes de povos pagãos, e nos diz que devemos nos abster de práticas cuja origem esteja na idolatria:


 

"Quando entrares na terra que YHWH teu Elohim te der, não aprenderás a fazer conforme as abominações daquelas nações." (Devarim/Deuteronômio 18:9)


 

"Assim diz YHWH: Não aprendais o caminho dos gentios, nem vos espanteis dos sinais dos céus; porque com eles se atemorizam as nações. Porque os costumes dos povos são vaidade" (Yirmiyahu/Jeremias 10:2-3)


 

"    Aos israelitas que servem ao Mashiach Yeshua, Shaʼul (Paulo) devem se manter distantes das práticas pagãs:


 

"Que harmonia há entre o Mashiach e Beliyaʼal? Ou que parte tem o que crê com o que não crê? E que consenso tem o Beit HaMikdash de Elohim com demônios? Pois nós somos Beit HaMikdash do Elohim vivo, como Elohim disse: Neles habitarei, e entre eles andarei; e eu serei o seu Elohim e eles serão o meu povo. Pelo que, saí vós do meio deles e separai-vos, diz YHWH; e não toqueis coisa imunda, e eu vos receberei." (Curintayah Beit/2 Coríntios 6:14)


 

"    Tendo isso em mente, qual deve ser a posição de um seguidor de Yeshua quanto à celebração do Ano Novo? Quando o assunto é a celebração de uma festa de cunho claramente religioso, tal como Natal e a Páscoa Romana, tem-se relativa clareza. Porém, o que dizer dessa festividade aparentemente secular? É lícito um seguidor de Yeshua participar dela?


 

"    Este artigo tem por objetivo investigar as origens e a evolução das práticas dessa festa, a fim de responder a esse questionamento.


 


 


 

II - A Festividade nos Tempos Antigos


 

"    A origem das celebrações do Ano Novo têm origem muito anterior ao Ano Novo propriamente dito, e começaram com as festividades de inverno do império romano do solstício de inverno: Nos tempos mais antigos a Brumália e, posteriormente, a Saturnália.


 

"    Essas celebrações revolviam em torno do dia 25 de dezembro, date teórica do solstício de inverno, e tinham seu fim justamente com a Calendae no dia primeiro de janeiro, mês romano que celebrava o deus Janus. O primeiro dia do reinado do deus Janus indicava justamente o final das festividades de inverno.


 

"    A conexão profunda entre Janus e as festividades de inverno é descrita por Macrobius, filósofo e escritor romano que viveu entre os séculos 4 e 5 DC, escreve sobre a mitologia em torno da celebração da Saturnália:

 

"Foi durante o seu reinado que Saturno subitamente desapareceu, e Janus então estabeleceu uma forma de acrescentar às suas honras. Primeiro ele deu o nome Saturnia a toda a terra que reconhecia o seu governo; e então ele edificou um altar, instituindo ritos como os para um deus e chamou esses ritos de Saturnália - o que demonstra que esse festival é muito mais antigo do que a cidade de Roma. E foi porque Saturno melhorou as condições de vida que, por ordem de Janus, honras religiosas foram dadas a

ele." (Saturnália 1:7:24)


 

"    Portanto, o dia primeiro de janeiro, muito antes de seu estabelecimento como Ano

Novo, já era um dia de grande festividade para os pagãos.


 


 


 

III - O Imperador Muda o Calendário


 

"    No século 1 AC, Julio César mudou o calendário romano, fazendo com que o fim dessas festividades - que eram as mais importantes do império - coincidisse exatamente com o princípio do ano.


 

"    Chris Armstrong, professor de História Eclesiástica, narra o episódio da seguinte forma, em um artigo para a revista Christian History:


 

"    "Como outros festivais cristãos, a celebração do Dia de Ano Novo no oeste começou antes da igreja vir a existir.


 

"    Inicialmente, os romanos celebravam o ano novo no dia primeiro de março, e não no dia primeiro de janeiro. Julio César instituiu o Dia de Ano Novo em primeiro de janeiro para honrar Janus, o deus de duas-faces que olhava para trás, para o ano antigo, e para frente, para o novo. O costume das ʻresoluções de ano novoʼ começou no período mais antigo, com os romanos fazendo resoluções de cunho moral: basicamente, de serem bondosos uns para com os outros."

(Chris Armstrong, "Resolutions Worth Keeping")


 

"    Acima, pode-se ver uma imagem de Janus, com suas características duas faces, que é parte de uma coleção do museu do Vaticano.


 


 


 

IV - Em Substituição à Torá


 

"    Mesmo nos primórdios do Cristianismo, no final do século 2 e início do século 3, a prática já era amplamente realizada, ao ponto de ser condenada por alguns dos chamados "pais da igreja", como Tertuliano, que afirmava:


 


 


 

"Mas para nós, a quem os Shabatot são estranhos, assim como o rosh chodesh e as festas amadas por Elohim, a Saturnália, os festivais de Ano Novo e meio do inverno e a Matronália são frequentados…" (Tertuliano, "Sobre a Idolatria", cap. 14)


 

"    Como podemos ver, os primeiros cristãos abandonaram a prática bíblica das festas de Elohim, e em seu lugar adotaram festas pagãs, como a celebração do Ano Novo de Janus.

 

V - Da Calendae à Festa da Circuncisão


 

"    Como se sabe, a Igreja Romana se apropriou da data do solstício de inverno, data que celebrava o Natalis Solis Invicti (Natal/Nascimento do [deus] Sol Invicto), para proclamar o nascimento de seu ídolo sincrético, um substituto distorcido e adulterado do Mashiach (Messias) das Escriturs.


 

"    Todavia, ao fazer uso de tal data, um dado curioso aconteceu. Como todo judeu, Yeshua foi circuncidado ao oitavo dia, conforme determina a Torá:


 

"O que tem oito dias será circuncidado entre vós, todo macho nas vossas gerações, tanto o escravo nascido em casa como o comprado a qualquer estrangeiro, que não for da tua estirpe. Com efeito, será circuncidado o nascido em tua casa e o comprado por teu dinheiro; a minha aliança estará na vossa carne e será aliança perpétua." (Bereshit/Gênesis 17:12-13)


 

"    Porém, sabe-se pelo relato das Escrituras, que Yeshua nasceu por volta da ocasião da festa de Sukot (Tabernáculo), isto é, por volta do mês de setembro no calendário civil

da atualidade. A escolha da data de 25 de dezembro tem sua razão unicamente no sincretismo religioso com o paganismo do culto ao deus-sol, altamente popular em Roma desde o início do século 2. Os pagãos, conforme atestam alguns autores como Arnóbio de Sica (século 4), tinham por hábito celebrarem o aniversário de seus deuses, algo totalmente estranho à prática das Escrituras - o que está na origem da escolha de tal data, que celebrava o nascimento do deus-sol invicto.


 

"    Coincidentemente, a Calendae, rebatizada por Julio César de "Ano Novo", ocorria oito dias depois do solstício de inverno. Sendo assim, muitos séculos depois, a Igreja Romana passou a alegar que a Calendae seria na realidade a "Festa da Circuncisão", uma festa que marcaria a data da circuncisão do ídolo substituto do Mashiach (Messias) bíblico, e que, como tal, determinaria a "morte do Judaísmo" e o "nascimento de uma nova religião, o Cristianismo."


 

"    Sobre a prática da Festa da Circuncisão, Chris Armstrong relata ainda:


 

"    "Quando Roma tomou o Cristianismo como sua fé oficial, os cristãos passaram a guardar o Dia de Ano Novo... No início do século sexto, partes da igreja começaram a guardar o dia primeiro. de janeiro como a Festa da Circuncisão, comemorando a circuncisão de Jesus... Mas os pagãos aparentemente arruinaram o primeiro de janeiro para muitos cristãos: a igreja romana não aceitou esse dia de festa até o século 11." (ibid)


 

"    Seria irônico, se não fosse trágico, que a circuncisão, momento que indica a primeira mitsvá (mandamento) à qual se submete um menino israelita recém-nascido, fosse tomada como sincretismo para uma festa de absoluta iniquidade. Sobre ela, a Enciclopédia Católica afirma:


 

"    "Na época do paganismo, contudo, a solenização da festa [da circuncisão de Jesus] foi praticamente impossível, em razão das orgias associadas às festividades da Saturnália, que eram celebradas no mesmo período. Até hoje, as características seculares da abertura do Ano Novo interferem com a observância religiosa da [festa da] circuncisão, e tendem a tornar um mero feriado aquilo que deveria ter sido a natureza sagrada do Dia Santo." (Catholic Encyclopedia, "Feast of Circumcision")

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