Total de visualizações de página

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

COISAS PARA SEREM LEMBRADAS NO NATAL CRISTÃO

    Escrito por Elhanan Ben Avraham - ISRAEL    


 

Grande parte da população mundial já começa a comemorar o nascimento de um judeu chamado Yeshua (mais tarde chamado Jesus), que nasceu de uma mãe judia chamada Miriam (chamada mais tarde de Maria). Como todo judeu,ele foi circuncidado ao oitavo dia de vida e viveu quase todos os seus dias na Terra de Israel. Morreu e ressuscitou em Jerusalém. Ele foi crucificado pelos romanos como "O Rei dos Judeus". Ele viveu como um judeu de acordo com a Torá e manteve todos os costumes judaicos do povo judeu. Todos os seus discípulos eram judeus e todos viveram de acordo com a Torá, incluindo a guarda do Shabat (sétimo dia) e as leis alimentares (Kashrút). De acordo com o Livro dos Atos, havia dezenas de milhares de judeus crentes em Yeshua em Israel, incluindo judeus ortodoxos. Todos os seus seguidores eram "zelosos da lei". Outros Judeus escreveram todos os feitos e ensinos da vida de Jesus, entre tais feitos a promessa em se fazer uma Nova Aliança com a casa de Judá e Israel, de acordo com o que foi dito pelo profeta Jeremias (cap. 31:31). Tal Aliança foi compilada e deu origem ao que é conhecido hoje como o "Novo Testamento".

O primeiro grupo de seguidores de Jesus eram apenas Judeus. Foram esses apóstolos judeus que levaram as Boas Novas da graça do D'us de Israel para os não-judeus das nações da Terra. Um dos seguidores de Jesus chamado Shaul (chamado em latim "Paulus"), foi o apóstolo judeu escolhido por Jesus para ensinar aos gentios. Paulo descreve a si mesmo no Novo Testamento dizendo: "Eu sou judeu". Ele guardava a Torá e viveu todos os dias de sua vida mantendo os costumes e tradições de seus pais e seu povo (como Jesus e todos os judeus que o seguiam). Está determinado por D-us que Yeshua (Jesus) deverá retornar como o "Leão da tribo de Judá", ou seja, ainda como um judeu.

Infelizmente, esses fatos foram virtualmente escondidos pelos cristãos atrás de uma névoa de costumes e festividades de origens pagãs as quais estão repletas de anti-semitismo. Mas, me alegro em ver que este véu está lentamente sendo retirado do rosto de muitos cristãos, e esse fato também ajudará a retirar outro véu que também está sobre os olhos do meu povo, o povo judeu. Este meu povo está agora novamente reunido por D'us na Terra Prometida e de posse novamente de Jerusalém, após 2000 de exílio. Muitos desses judeus hoje em Israel são verdadeiramente zelosos para com o D'us de Israel e aguardam diariamente e fielmente a vinda do Messias.

Por isso, peço a todos: orem pelo o povo judeu e pela paz de Jerusalém!


 

Shalom,

Elhanan Ben Avraham

Jerusalém - ISRAEL

domingo, 19 de dezembro de 2010

Devemos celebrar o Ano Novo ʻSecularʼ?

Por Shaʼul Bentsion


 


 


 

I - Introdução


 

"    Desde os primórdios, as Escrituras nos advertem a não adotarmos os costumes de povos pagãos, e nos diz que devemos nos abster de práticas cuja origem esteja na idolatria:


 

"Quando entrares na terra que YHWH teu Elohim te der, não aprenderás a fazer conforme as abominações daquelas nações." (Devarim/Deuteronômio 18:9)


 

"Assim diz YHWH: Não aprendais o caminho dos gentios, nem vos espanteis dos sinais dos céus; porque com eles se atemorizam as nações. Porque os costumes dos povos são vaidade" (Yirmiyahu/Jeremias 10:2-3)


 

"    Aos israelitas que servem ao Mashiach Yeshua, Shaʼul (Paulo) devem se manter distantes das práticas pagãs:


 

"Que harmonia há entre o Mashiach e Beliyaʼal? Ou que parte tem o que crê com o que não crê? E que consenso tem o Beit HaMikdash de Elohim com demônios? Pois nós somos Beit HaMikdash do Elohim vivo, como Elohim disse: Neles habitarei, e entre eles andarei; e eu serei o seu Elohim e eles serão o meu povo. Pelo que, saí vós do meio deles e separai-vos, diz YHWH; e não toqueis coisa imunda, e eu vos receberei." (Curintayah Beit/2 Coríntios 6:14)


 

"    Tendo isso em mente, qual deve ser a posição de um seguidor de Yeshua quanto à celebração do Ano Novo? Quando o assunto é a celebração de uma festa de cunho claramente religioso, tal como Natal e a Páscoa Romana, tem-se relativa clareza. Porém, o que dizer dessa festividade aparentemente secular? É lícito um seguidor de Yeshua participar dela?


 

"    Este artigo tem por objetivo investigar as origens e a evolução das práticas dessa festa, a fim de responder a esse questionamento.


 


 


 

II - A Festividade nos Tempos Antigos


 

"    A origem das celebrações do Ano Novo têm origem muito anterior ao Ano Novo propriamente dito, e começaram com as festividades de inverno do império romano do solstício de inverno: Nos tempos mais antigos a Brumália e, posteriormente, a Saturnália.


 

"    Essas celebrações revolviam em torno do dia 25 de dezembro, date teórica do solstício de inverno, e tinham seu fim justamente com a Calendae no dia primeiro de janeiro, mês romano que celebrava o deus Janus. O primeiro dia do reinado do deus Janus indicava justamente o final das festividades de inverno.


 

"    A conexão profunda entre Janus e as festividades de inverno é descrita por Macrobius, filósofo e escritor romano que viveu entre os séculos 4 e 5 DC, escreve sobre a mitologia em torno da celebração da Saturnália:

 

"Foi durante o seu reinado que Saturno subitamente desapareceu, e Janus então estabeleceu uma forma de acrescentar às suas honras. Primeiro ele deu o nome Saturnia a toda a terra que reconhecia o seu governo; e então ele edificou um altar, instituindo ritos como os para um deus e chamou esses ritos de Saturnália - o que demonstra que esse festival é muito mais antigo do que a cidade de Roma. E foi porque Saturno melhorou as condições de vida que, por ordem de Janus, honras religiosas foram dadas a

ele." (Saturnália 1:7:24)


 

"    Portanto, o dia primeiro de janeiro, muito antes de seu estabelecimento como Ano

Novo, já era um dia de grande festividade para os pagãos.


 


 


 

III - O Imperador Muda o Calendário


 

"    No século 1 AC, Julio César mudou o calendário romano, fazendo com que o fim dessas festividades - que eram as mais importantes do império - coincidisse exatamente com o princípio do ano.


 

"    Chris Armstrong, professor de História Eclesiástica, narra o episódio da seguinte forma, em um artigo para a revista Christian History:


 

"    "Como outros festivais cristãos, a celebração do Dia de Ano Novo no oeste começou antes da igreja vir a existir.


 

"    Inicialmente, os romanos celebravam o ano novo no dia primeiro de março, e não no dia primeiro de janeiro. Julio César instituiu o Dia de Ano Novo em primeiro de janeiro para honrar Janus, o deus de duas-faces que olhava para trás, para o ano antigo, e para frente, para o novo. O costume das ʻresoluções de ano novoʼ começou no período mais antigo, com os romanos fazendo resoluções de cunho moral: basicamente, de serem bondosos uns para com os outros."

(Chris Armstrong, "Resolutions Worth Keeping")


 

"    Acima, pode-se ver uma imagem de Janus, com suas características duas faces, que é parte de uma coleção do museu do Vaticano.


 


 


 

IV - Em Substituição à Torá


 

"    Mesmo nos primórdios do Cristianismo, no final do século 2 e início do século 3, a prática já era amplamente realizada, ao ponto de ser condenada por alguns dos chamados "pais da igreja", como Tertuliano, que afirmava:


 


 


 

"Mas para nós, a quem os Shabatot são estranhos, assim como o rosh chodesh e as festas amadas por Elohim, a Saturnália, os festivais de Ano Novo e meio do inverno e a Matronália são frequentados…" (Tertuliano, "Sobre a Idolatria", cap. 14)


 

"    Como podemos ver, os primeiros cristãos abandonaram a prática bíblica das festas de Elohim, e em seu lugar adotaram festas pagãs, como a celebração do Ano Novo de Janus.

 

V - Da Calendae à Festa da Circuncisão


 

"    Como se sabe, a Igreja Romana se apropriou da data do solstício de inverno, data que celebrava o Natalis Solis Invicti (Natal/Nascimento do [deus] Sol Invicto), para proclamar o nascimento de seu ídolo sincrético, um substituto distorcido e adulterado do Mashiach (Messias) das Escriturs.


 

"    Todavia, ao fazer uso de tal data, um dado curioso aconteceu. Como todo judeu, Yeshua foi circuncidado ao oitavo dia, conforme determina a Torá:


 

"O que tem oito dias será circuncidado entre vós, todo macho nas vossas gerações, tanto o escravo nascido em casa como o comprado a qualquer estrangeiro, que não for da tua estirpe. Com efeito, será circuncidado o nascido em tua casa e o comprado por teu dinheiro; a minha aliança estará na vossa carne e será aliança perpétua." (Bereshit/Gênesis 17:12-13)


 

"    Porém, sabe-se pelo relato das Escrituras, que Yeshua nasceu por volta da ocasião da festa de Sukot (Tabernáculo), isto é, por volta do mês de setembro no calendário civil

da atualidade. A escolha da data de 25 de dezembro tem sua razão unicamente no sincretismo religioso com o paganismo do culto ao deus-sol, altamente popular em Roma desde o início do século 2. Os pagãos, conforme atestam alguns autores como Arnóbio de Sica (século 4), tinham por hábito celebrarem o aniversário de seus deuses, algo totalmente estranho à prática das Escrituras - o que está na origem da escolha de tal data, que celebrava o nascimento do deus-sol invicto.


 

"    Coincidentemente, a Calendae, rebatizada por Julio César de "Ano Novo", ocorria oito dias depois do solstício de inverno. Sendo assim, muitos séculos depois, a Igreja Romana passou a alegar que a Calendae seria na realidade a "Festa da Circuncisão", uma festa que marcaria a data da circuncisão do ídolo substituto do Mashiach (Messias) bíblico, e que, como tal, determinaria a "morte do Judaísmo" e o "nascimento de uma nova religião, o Cristianismo."


 

"    Sobre a prática da Festa da Circuncisão, Chris Armstrong relata ainda:


 

"    "Quando Roma tomou o Cristianismo como sua fé oficial, os cristãos passaram a guardar o Dia de Ano Novo... No início do século sexto, partes da igreja começaram a guardar o dia primeiro. de janeiro como a Festa da Circuncisão, comemorando a circuncisão de Jesus... Mas os pagãos aparentemente arruinaram o primeiro de janeiro para muitos cristãos: a igreja romana não aceitou esse dia de festa até o século 11." (ibid)


 

"    Seria irônico, se não fosse trágico, que a circuncisão, momento que indica a primeira mitsvá (mandamento) à qual se submete um menino israelita recém-nascido, fosse tomada como sincretismo para uma festa de absoluta iniquidade. Sobre ela, a Enciclopédia Católica afirma:


 

"    "Na época do paganismo, contudo, a solenização da festa [da circuncisão de Jesus] foi praticamente impossível, em razão das orgias associadas às festividades da Saturnália, que eram celebradas no mesmo período. Até hoje, as características seculares da abertura do Ano Novo interferem com a observância religiosa da [festa da] circuncisão, e tendem a tornar um mero feriado aquilo que deveria ter sido a natureza sagrada do Dia Santo." (Catholic Encyclopedia, "Feast of Circumcision")

sábado, 11 de dezembro de 2010

O QUE A DESOBEDIÊNCIA ALIMENTAR CAUSA?


 

Levítico 11
"E falou o SENHOR a Moisés e a Arão, dizendo-lhes:

Fala aos filhos de Israel, dizendo: Estes são os animais, que comereis dentre todos os animais que há sobre a terra;

Dentre os animais, todo o que tem unhas fendidas, e a fenda das unhas se divide em duas, e rumina, deles comereis.

Destes, porém, não comereis; dos que ruminam ou dos que têm unhas fendidas; o camelo, que rumina, mas não tem unhas fendidas; esse vos será imundo;

E o coelho, porque rumina, mas não tem as unhas fendidas; esse vos será imundo;

E a lebre, porque rumina, mas não tem as unhas fendidas; essa vos será imunda.

Também o porco, porque tem unhas fendidas, e a fenda das unhas se divide em duas, mas não rumina; este vos será imundo.

Das suas carnes não comereis, nem tocareis nos seus cadáveres; estes vos serão imundos.

De todos os animais que há nas águas, comereis os seguintes: todo o que tem barbatanas e escamas, nas águas, nos mares e nos rios, esses comereis.

Mas todo o que não tem barbatanas, nem escamas, nos mares e nos rios, todo o réptil das águas, e todo o ser vivente que há nas águas, estes serão para vós abominação.

Ser-vos-ão, pois, por abominação; da sua carne não comereis, e abominareis o seu cadáver.

Todo o que não tem barbatanas ou escamas, nas águas, será para vós abominação.

Das aves, estas abominareis; não se comerão, serão abominação: a águia, e o quebrantosso, e o xofrango,

E o milhano, e o abutre segundo a sua espécie.

Todo o corvo segundo a sua espécie,

E o avestruz, e o mocho, e a gaivota, e o gavião segundo a sua espécie.

E o bufo, e o corvo marinho, e a coruja,

E a gralha, e o cisne, e o pelicano,

E a cegonha, a garça segundo a sua espécie, e a poupa, e o morcego.

Todo o inseto que voa, que anda sobre quatro pés, será para vós uma abominação.

Mas isto comereis de todo o inseto que voa, que anda sobre quatro pés: o que tiver pernas sobre os seus pés, para saltar com elas sobre a terra.

Deles comereis estes: a locusta segundo a sua espécie, o gafanhoto devorador segundo a sua espécie, o grilo segundo a sua espécie, e o gafanhoto segundo a sua espécie.

E todos os outros insetos que voam, que têm quatro pés, serão para vós uma abominação.

E por estes sereis imundos: qualquer que tocar os seus cadáveres, imundo será até à tarde.

Qualquer que levar os seus cadáveres lavará as suas vestes, e será imundo até à tarde.

Todo o animal que tem unha fendida, mas a fenda não se divide em duas, e todo o que não rumina, vos será por imundo; qualquer que tocar neles será imundo.

E todo o animal que anda sobre as suas patas, todo o animal que anda a quatro pés, vos será por imundo; qualquer que tocar nos seus cadáveres será imundo até à tarde.

E o que levar os seus cadáveres lavará as suas vestes, e será imundo até à tarde; eles vos serão por imundos.

Estes também vos serão por imundos entre os répteis que se arrastam sobre a terra; a doninha, e o rato, e a tartaruga segundo a sua espécie,

E o ouriço cacheiro, e o lagarto, e a lagartixa, e a lesma e a toupeira.

Estes vos serão por imundos dentre todos os répteis; qualquer que os tocar, estando eles mortos, será imundo até à tarde.

E tudo aquilo sobre o que cair alguma coisa deles estando eles mortos será imundo; seja vaso de madeira, ou veste, ou pele, ou saco, qualquer instrumento, com que se faz alguma obra, será posto na água, e será imundo até à tarde; depois será limpo.

E todo o vaso de barro, em que cair alguma coisa deles, tudo o que houver nele será imundo, e o vaso quebrareis.

Todo o alimento que se come, sobre o qual cair água de tais vasos, será imundo; e toda a bebida que se bebe, depositada nesses vasos, será imunda.

E aquilo sobre o que cair alguma parte de seu corpo morto, será imundo; o forno e o vaso de barro serão quebrados; imundos são: portanto vos serão por imundos.

Porém a fonte ou cisterna, em que se recolhem águas, será limpa, mas quem tocar no seu cadáver será imundo.

E, se dos seus cadáveres cair alguma coisa sobre alguma semente que se vai semear, será limpa;

Mas se for deitada água sobre a semente, e se dos seus cadáveres cair alguma coisa sobre ela, vos será por imunda.

E se morrer algum dos animais, que vos servem de mantimento, quem tocar no seu cadáver será imundo até à tarde;

E quem comer do seu cadáver lavará as suas vestes, e será imundo até à tarde; e quem levar o seu corpo morto lavará as suas vestes, e será imundo até à tarde.

Também todo o réptil, que se arrasta sobre a terra, será abominação; não se comerá.

Tudo o que anda sobre o ventre, e tudo o que anda sobre quatro pés, ou que tem muitos pés, entre todo o réptil que se arrasta sobre a terra, não comereis, porquanto são uma abominação.

Não vos façais abomináveis, por nenhum réptil que se arrasta, nem neles vos contamineis, para não serdes imundos por eles;

Porque eu sou o SENHOR vosso Elohim; portanto vós vos santificareis, e sereis santos, porque eu sou santo; e não vos contaminareis com nenhum réptil que se arrasta sobre a terra;

Porque eu sou o SENHOR, que vos fiz subir da terra do Egito, para que eu seja vosso Elohim, e para que sejais santos; porque eu sou santo.

Esta é a lei dos animais, e das aves, e de toda criatura vivente que se move nas águas, e de toda criatura que se arrasta sobre a terra;

Para fazer diferença entre o imundo e o limpo; e entre animais que se podem comer e os animais que não se podem comer."

Um grande mal que tem assolado a humanidade nesse século e a obesidade, cada vez mais as pessoas têm estado acima do peso. Muitos fatores têm sido atribuídos a esse mal, mas qual será a verdade espiritual por detrás disso?

O Eterno quando nos deu a sua Torah já sabia que a humanidade iria chegar ao ponto que chegou. Desregrada em todos os níveis da sua vida, não querendo obedecer nada, mas mesmo assim o Eterno na sua infinita misericórdia nos deixou sua bússola para uma vida humana sadia.

Quando lemos em levítico 11 o que podemos comer e o que não podemos, entendemos um pouco por que o homem hoje esta no caos atual. Os animais que não foram feitos para alimentação são os mais ingeridos pelo mundo atual e os que mais trazem efeitos desastrosos para o organismo. Um exemplo muito grande disso é o porco e seus derivados, o verme que está contido muitas vezes nessa carne se aloja no cérebro e mata, o bacon que é a pele do porco frita aumenta assustadoramente o colesterol, que por sua vez entupem as artérias e traz o infarto. Como se não bastasse tudo isso a gordura extraída do porco tem muitas calorias e traz o malefício do peso extra. Isso por que estamos nos focando só nos malefícios físicos, sabemos também que os malefícios espirituais são desastrosos, explanaremos a seguir.

Sabemos que somos aquilo que comemos, tudo o que comemos é transformado em sangue e alimenta o nosso corpo, o que não é absorvido pelo corpo e excretado em forma de urina ou fezes.

Somos constituídos de corpo, alma e espírito, esses três elementos estão conectados e um está tão atrelado ao outro que o que um faz afeta o outro, exemplo: se eu oro com meu espírito a minha carne vai ter força para se desviar das tentações e não pecar, agora se deixo minhas paixões que estão na minha alma comandarem meu corpo, eu vou pecar com meu corpo físico com certeza.

Quando abrimos nossa boca e ingerimos algum alimento estamos alimentando o nosso corpo e podemos estar alimentando também nosso espiritual ou podemos estar pecando e assim abrindo brechas para que os espíritos imundos atuem em nossas vidas, ex: se comemos carne de porco estamos pecando pois levítico 11 diz claramente para não fazermos isso, se pecamos damos direito legal para os espíritos imundos atuarem em minha nossa vida e manipularem a mesma.

Muitas citam Atos 10 para dizer que podemos comer qualquer coisa, mas o interessante e que nessa passagem Pedro nem se quer coloca aqueles alimentos na boca e outra ponto aqui também é que Yeshua já tinha morrido e ressuscitado e os discípulos continuavam comendo somente o que estava listado como comida pura.

Vemos também Yeshua mandando os demônios que foram expulsos do endemoniado gadareno para uma manada de porcos ( Mc 5.1-20), será que esse animal considerado imundo pela Torah não serve para habitação de demônios?

No livro de Daniel ele sabia a importância de obedecer aos mandamentos alimentares, Dn 1- 8 " Mas Daniel propôs no coração não se contaminar com as iguarias do rei nem com vinho de sua mesa."

Muito é falado por aí sobre o jejum de Daniel (que na verdade não é jejum, pois jejum é abstinência de alimentação, e não comer somente determinadas coisas) a alimentação de Daniel, consistiu em obedecer Lv 11, com certeza as carnes ali não eram puras e ele resolveu comer legumes.

Obedecer a Torah é que traz santificação.

O que você tem alimentado seu corpo ou seu espírito?

Quantas vezes ouvimos discursos por ai sobre alimentação? Quantas vezes se expõe ao público que a glutonaria é tanto pecado quanto adultério? Quantas vezes ouvimos pregações sobre a necessidade de matar a carne fazendo jejum?

Acho que a resposta é fácil, quase nunca, pois as pessoas não querem ter seus prazeres cortados.

Segundo tradições existem níveis espirituais que vão dos mais degradantes aos mais elevados, são eles:

1- O nível mais degradante da humanidade e quando as pessoas só querem saber de sexo, comida e violência.

2- O segundo e quando as pessoas querem aprender alguma coisa sair do nível da ignorância absoluta e passar ao conhecimento.

3- O terceiro nível e quando as pessoas se voltam para algum conhecimento religioso.

4- O quarto nível e quanto às pessoas buscam se elevar espiritualmente.

5- O quinto nível e o mais elevado de todos e quando as pessoas buscam obedecer a Torah do Eterno.

Entendemos aqui que a humanidade hoje se encontra no nível mais degradante como ser humano.

Para controlarmos o apetite, precisamos ter domínio próprio, necessitamos estar buscando a Ruach Hachodesh (Espírito santo) para não desobedecermos com a glutonaria, para não comer alimentos impuros e nos contaminarmos.

Controlar a alimentação é um passo enorme na libertação

Por Ligia (Hadassa bat Israel)
www.beitchessed-batalhaespiritual.blogspot.com

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Yeshua, um mito ou o verdadeiro Messias de Israel

Parte 3


 

Adaptado por Yochanan ben Avraham

Colaboração de Mike Martins e Patrícia Guarilha.


 

Respondendo o item nº 8 (parte 2)


 

Continuando com as repostas do 8º item, iremos agora verificar se a insinuação de que episódios da vida de Yeshua Ha Mashiach foram plagiados da vida de Siddhartha Gautama, o príncipe que virou monge e que ficou conhecido como Buda.


 

Yeshua X Buda


 

SIDDHARTHA GAUTAMA (O BUDA)

Acredita-se que Siddhartha tenha vivido entre os anos 563 – 483 AEC, nascido de uma classe guerreira sob o sistema de castas da Índia e posteriormente atingiu a iluminação para se tornar o Buda (O Iluminado) e fundador do budismo. Assim como Zoroastro (de quem estaremos falando no próximo estudo), muito pouco foi escrito sobre ele durante o tempo de sua vida, com relatos quem vai se tornando mais incríveis com o passar do tempo...


 

NASCIMENTO VIRGINAL

Siddhartha nasceu de Suddhodana (seu pai) e Maya (sua mãe). Apesar de alguns críticos dizerem que Maya era uma virgem, nós afirmamos que não pois ela era a esposa favorita do rei. Também, Os Atos do Buda confirmam que Maya e Suddhodana tinham relações sexuais (os dois provaram os deleites do amor...), apesar de que é justo apontar que a maioria das traduções inglesas não contém esta declaração.

Apesar de Maya ser retratada como sendo virtuosa e de mente pura, o conceito de virginal nunca é mencionado a respeito do nascimento de Siddhartha. No máximo, foi uma transferência de útero como a história de Krishna:


 

"O mais excelente de todos os Bodhisattvas caiu diretamente de seu lugar entre os residentes do céu de Tushita, e movendo-se rapidamente através dos três mundos, repentinamente tomou a forma de um grande elefante de seis presas tão branco como o Himalaia, e entrou no útero de Maya." (Buddha Karita 1.18)


 

Opinião cética:

A semelhança entre Maya e Maria [sic] possui algum significado (quer dizer, não nos diz alguma coisa?)


 

Resposta:

Apesar de similares em suas transliterações, suas formas originais e traduções são completamente diferentes. Maya, do sânscrito, significa ilusão, enquanto que Maria [sic] é traduzida do hebreu (Mara) como amargo.


 

OBS. Sabemos que o nome da mãe de Yeshua é Miriam, e não Maria como afirma a tradição cristã.


 

VISITA DE SÁBIOS ?

Não podemos encontrar nenhuma menção de sábios nos textos budistas, mas achamos nos escritos pós-cristianismo [sic], o que é, diga-se de passagem, bem sintomático...o seguinte:

1ª versão.

Um asceta (não sábio) visita ao rei (Suddhodana) para repetir a informação que ele recebeu dos deuses, que sua criança (filho) se tornaria um grande líder religioso. Depois de ouvir isso, os Brâmanes (casta sacerdotal hindu) decidiram dedicar seus filhos, dependendo do resultado da profecia.


 

"Um filho tem nascido na família do rei Suddhodana, e daqui a trinta e cinco anos ele vai se tornar um Buda...Se o jovem príncipe se tornar um Buda ou um rei, vamos cada um de nós darmos um filho de modo que, se ele tornar-se um Buda, ele deverá ser seguido e cercado pelos monges da casta guerreira e se ele tornar-se um rei, por nobres da casta guerreira." (Jataka 1.55,57)


 

2ª versão.

No momento do nascimento de Siddhartha Gautama, um vidente diz a Suddhodana que seu filho se tornará um grande líder religioso:


 

"O grande vidente veio ao palácio do rei. 'Seu filho tem nascido para o bem do supremo conhecimento. Tendo abandonado seu reino, indiferente a todos os objetos mundanos, ele irá brilhar como um sol de conhecimento para destruir a escuridão do mundo." (Buddha Karita 1. 54, 62, 74)


 

PRESENTEADO COM OURO, INCENSO E MIRRA ?

Novamente, não encontramos nenhuma menção a tal ocorrência, exceto por uma forçada correlação em uma escritura pós-cristã [sic], que diz que os deuses (não sábios) presentearam Siddhartha com sândalo, chuva, lírios aquáticos e flores de lótus (símbolo budista). Isto não seria surpresa já que nascimentos reais geralmente são celebrados com festivais e presentes!


 

"Assim que ele nasceu o de mil-olhos o tomou gentilmente, brilhante como um pilar de ouro. Duas puras correntes de água caíram do céu sobre sua cabeça como pilhas de flores de Mandara. Os senhores-yaksha (na mitologia hindu, são seres metade divino, metade demônio) ficaram ao seu redor, o guardando com lótus de ouro em suas mãos. Os grandes dragões o fitaram com olhos de concentrada devoção, e o abanaram e espalharam flores de Mandara sobre ele. E de um céu sem nuvens caiu uma chuva cheia de lótus e lírios aquáticos, e perfumadas com sândalo." (Buddha Karita 1.27, 36, 38, 40)


 


 

GUIADOS POR UMA ESTRELA?

Não há menção de um sinal celestial, mas há algumas similaridades forçadas em textos pós-cristãos [sic]


 

1ª versão

Os Brâmanes procuravam por sinais do Buda em Siddhartha para determinar se ele seria um rei ou líder religioso. Os sinais não implicavam em presságios celestiais mas em marcas físicas que um Buda deveria ter:


 

"Eles (os Brâmanes) pediram para observar as marcas e características da futura pessoa do Buda, e para profetizar sua fortuna. Se um homem possuindo tais marcas e características continuar na vida como chefe de família, ele se tornará um Monarca Universal. Se ele se retirar do mundo ele se torna um Buda." (Jataka 1. 56)


 

2ª versão

"Duas correntes de água jorrando do céu, iluminadas como os raios de lua, tendo o poder do calor e do frio, caindo sobre a benigna cabeça daquele inigualável, para dar refresco a seu corpo...Os deuses mantiveram um guarda chuva branco no céu e murmurou as mais altas bênçãos em sua suprema sabedoria...Então tendo conhecido por sinais e através do poder de suas penitências este nascimento daquele que destruirá ( ou ofuscará) todos os nascimentos, o grande vidente Asita veio ao palácio do rei. Assim o grande vidente olhou o filho do rei maravilhado, seu pé marcado com uma roda, seus dedos das mãos e dos pés palmados, com um círculo de cabelo entre suas sobrancelhas e sinais de vigor como um elefante." (Buddha Karita 1. 35, 37, 54, 65)


 

25 DE DEZEMBRO

Não é necessário trazer uma refutação sobre isso, pois todos sabem que o dia 25 de Dezembro é mais um dos equívocos cristão sobre o Messias de Israel. O qual teria nascido mui provavelmente em Sukot, entre os meses de setembro e outubro do calendário gregoriano. Portanto, fica claro o despreparo e ignorância dos proponentes destas idéias...


 

TENTATIVA DE ASSASSINATO POR UM REI MAU?

Não há menção de um atentado contra a vida de Siddhartha. A única coisa que somos informados é que seu pai, Suddhodana, tentou persuadi-lo de uma vida de servidão religiosa por seduzi-lo com privilégios reais. Quando o profeta disse ao rei que seu filho veria quatro sinais o guiando para sua chamada religiosa, o rei ordenou os guardas a cercá-lo para prevenir tal evento:


 

"Então disse o rei: 'o que deve ver meu filho, que o fará se retirar do mundo?'

O profeta respondeu: 'Os quatro sinais.'

'Que quatro?' Disse o rei.

'Um decrépito homem velho, um homem doente, um homem morto e um monge.' Respondeu o profeta.

'Deste dia em diante.' Disse o rei, ' tais pessoas não são permitidas a aproximar-se do meu filho. Eu nunca deixarei meu filho se tornar um Buda. O que eu quero ver é meu filho exercendo seu soberano governo e autoridade...' E quando ele falou assim, ele colocou guardas em uma distância de um quarto de légua em cada uma das quatro direções, para que nenhum destes quatro tipos de homem possa ficar às vistas de seu filho." (Jataka 1. 57)

LINHAGEM REAL

Assim como Krishna, Siddhartha Gautama era um descendente real imediato nascido em privilégios. Yeshua, era um distante descendente do rei David nascido na pobreza.


 

IDADES MARCANTES

Ao contrário de Yeshua que ensinava no Templo com a idade de 12 anos, começou seu ministério com 30 e morreu aos 33. As idades marcantes de Siddhartha Gautama, diferem bastante daquilo que os críticos alegam, vejam: ele terminou sua educação aos 15 anos, casou-se aos 16, tornou-se um monge aos 29, alcançou a iluminação aos 35 e morreu aos 80.


 

CRUCIFICAÇÃO ?

Apesar de críticos alegarem alguns relatos vagos mencionando a crucificação de Siddhartha, não podemos achar menção disto em nenhuma fonte budista. De fato, somos informados que Siddhartha morreu de causas naturais aos 80 anos. Seus seguidores o acompanharam a um rio e o proveram com uma cama:


 

"São tão bons de me estender uma cama...estou cansado e desejo deitar-me...Então (o Buda) caiu em uma profunda meditação, e tendo passado pelos quatro jhanas (estado meditativo com profunda sensibilidade e quietude da mente), entrou no Nirvana."


 

RESSURREIÇÃO E ASCENSÃO

Depois de sua morte, o corpo de Siddhartha foi cremado:


 

"E eles queimaram os restos do abençoado assim como fariam com o corpo de um rei dos reis"


 

Diz-se que Siddhartha transcendeu todos os níveis de meditação em seu leito de morte antes de atingir o Nirvana. Mas de acordo com o budismo, o Nirvana não é um lugar físico, mas um estado mental. Como mencionamos em Yeshua x Krishna, o conceito de Buda transcendendo ao Nirvana difere grandemente de "céu" bíblico.


 

SIMILARIDADES ERRÔNEAS ALEGADAS PELOS CRÍTICOS

*Ele alimentou uma multidão com uma cesta de bolos.

Não há menção disto em qualquer texto budista.


 

*Transfiguração num monte.

Apesar de Siddhartha ter atingido alimentação espiritual, ele não experimentou uma transfiguração física. Nem isto aconteceu em um monte, Buda obteve sua iluminação debaixo de uma árvore.


 

*Esmagando a cabeça de uma serpente.


Como Krishna, Buda nunca foi referido com esta atribuição mas um conto vem à tona num texto posterior que menciona ele literalmente assassinando uma serpente. Mas a menção de Yeshua a esse respeito é uma metáfora.


 

*Votos de pobreza.

Yeshua nunca fez tal voto. O que foi ensinado por Ele diz que o amor a possessões terrenas poderia mudar o foco para longe das coisas celestiais. (Mat. 6. 19-24)


 

*Títulos similares.


Bom pastor, carpinteiro, Alfa e ômega [sic], que leva os pecados, Deus dos deuses [sic], Mestre, Luz do Mundo, Redentor, Eterno a Eterno e etc. Mas Siddhartha nunca clamou ser uma deidade, logo, fazem-se falsos estes títulos. Os únicos títulos que o Buda compartilha com Yeshua encontrados nos textos budistas são: senhor, mestre e santo...


 

CONCLUSÃO

Pelo fato do budismo compartilhar vários conceitos com o hinduísmo, (originando-se nas proximidades deste), há na verdade mais similaridade entre as histórias de Buda e Krishna do que entre Buda e Yeshua.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Yeshayahu (Is) 53 - ישעיהו

Yeshayahu (Is) 53 - ישעיהו 

www.haazinu.com.br


A interpretação rabínica moderna dos dias de hoje fala que Isaías 53 refere se a Israel, mas isto não é o que os Rabinos antigos pensavam, pois os mesmos interpretavam Isaias 53 como sendo o Messias.

O Rabino Moses Alschech (1508-1600) diz:
Nossos sábios Rabinos com uma só voz aceitam e afirmam em comum opinião que o profeta discursa sobre o Messias, e nós devemos aderir ao mesmo ponto de vista.

Abravanel (1437-1508) disse:
Esta é também a opinião de nossos próprios homens instruídos na maioria de seus "Midrashim." (discursos rabínicos)

Rabino Yafet Ben Ali (segunda metade do 10o século):
Quanto a mim, eu vou considerá-lo como aludindo ao Messias.

Abraham Farissol (1451 - 1526) diz:
Neste capítulo parece haver umas semelhanças e umas alusões consideráveis ao ministério do Messias "cristão" e aos eventos que são aplicados para ter acontecido com ele, de modo que nenhuma outra profecia deva ser encontrada o aplica tão bem e o assunto de que pode assim imediatamente lhe ser conferido. "

Targum Yonathan (4o século) dá a introdução em Isa. 52:13:
"Eis, meu servo o Messias…"

Gersonides (1288-1344) em Deut. 18:18:
"De fato o Messias é tal profeta, pois se indica no Midrash no verso, "Eis, meu Servo…" (Isa. 52:13)."

Midrash Tanchuma:
"Foi exaltado acima de Abraham, exaltado acima de Moshe, e ainda mais exaltado do que os Arcanjos" (Isa.52: 13).

Yalkut Schimeon (atribuído ao Rabbi Simeon Kara, ao 12o século) diz:
"Em Zacarias.4:7:(O rei Messias) é maior que os patriarcas, porque é dito, "Eis que o meu servo procederá com prudência; será exaltado, e elevado, e mui sublime.
(Isa. 52:13)."

Maimônides (1135-12O4) escreveu ao Rabbi Jacob Alfajumi:
"Do mesmo modo esta em Isaías que (Messias) apareceria sem reconhecer um pai ou uma mãe": Pois foi crescendo como renovo perante ele, e como raiz que sai duma terra seca;... (Isa.53: 2). "

Tanchuma:

O Rabino Nachman diz:
A Palavra HOMEM na passagem, um homem que seja cabeça da casa de seu pai.

(Num.1, 4), alude ao Messias, o filho de David, porque está escrito, "Eis o homem cujo nome é Tzemach (renovo)". Onde no Targun Yonathan interpreta, "Eis o homem o Messias" (Zacarias. 6:12); e assim é dito: homem de dores, e experimentado nos sofrimentos; e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum (Isa.53: 3)."

Talmud Sanhedrin (98b):
"Messias… qual é seu nome? Os Rabinos dizem, "leproso"; aquele da casa de estudo. (Rabino Yehuda Hanassi, o autor do Mishná, 135-200): seus alunos disseram o nome do Messias é "Cholaja" (o enfermo), porque diz; "certamente carregou nossas enfermidades..." (Isa.53,4). "

Pesiqta Rabbati (ca.845) sobre Isa. 61,10:
Os "mundo dos Patriarcas", um dia no mês de Nisan, levantaram e dirão (ao Messias): 'Efraim, nosso Justo Ungido, embora nós sejamos seus avós, contudo você é maior do que nós, porque você carregou os pecados de nossos filhos, porque diz: 'Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e carregou com as nossas dores; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido' 'Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e esmagado por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados'
(Isa.53, 4-5).

Rabino Shmeon Ben Yochai (2° Século), Zohar. parte II página 212a e III página 218a, Amsterdã Ed.):
Há no jardim de Éden um palácio chamado: 'O palácio dos filhos da enfermidade, este é palácio que o Messias entra, e chama sobre si cada doença, cada dor, e cada castigo de Israel: então todos vêm e caem sobre Ele.

E assim tirou o peso de Israel, e os levou sobre si mesmo. Não havia nenhum homem capaz de carregar a punição de Israel por causa da transgressão da lei; este é aquele do que é escrito, Verdadeiramente ele tomou sobre si (Isa.53, 4). - Enquanto lhe dizem (o Messias) da miséria de Israel em seu cativeiro, e daqueles infiéis entre eles que não atenderam em conhecer seu Senhor, Ele (o Senhor deles o Messias) levanta sua voz e chora para pelas iniqüidades e infidelidades deles; e assim escreve-se, "ele foi ferido por causa de nossas transgressões" (Isa.53,5). Midrash (em Ruth 2.14): É discurso do rei Messias – 'venha em direção', isto é próximo ao trono; "coma do pão", isto é o pão do Reino. 'Isto alude a (pão da) aflição, enquanto é dito, "mas foi ferido por causa de nossas transgressões, afligido por causa nossos iniqüidades" (Isa.53,5).

Disse o Rabino Elias de Vidas (Século 16):
"O significado de 'foi ferido por causa de nossas transgressões, afligido por causa de nossas iniqüidades' é, desde que o Messias carrega nossas iniqüidades que produzem suas aflições, conseqüentemente aqueles que não admitem que o Messias sofra por nossas iniqüidades, então devem eles mesmos sofrer pelas deles."

Siphre:

O Rabino Jose Galileu disse: vem aprender os méritos do Rei Messias e a recompensa do justo - Considere quantas mortes levou sobre si, de sua própria geração, e sobre daquelas que os seguiram, até o fim de todas as gerações. Qual atributo é maior, o atributo da bondade, ou o atributo da vingança? '- Respondeu, 'o atributo da bondade é maior, e o atributo da vingança é menor. ' - ' quanto mais então, o Rei Messias, que resiste as aflições e as dores por causa de nossas transgressões (pois se escreve, 'foi ferido...), justificam todas as gerações.
Este é o significado da palavra, mas o Adonay fez cair sobre ele a iniqüidade de todos nós. (Isa.53:6). "

O Rabino Eleazer Kalir (Século 9) escreveu a seguinte oração de Musaf (do sidur): "Nosso Messias o justo partiu de nós. O Horror apreendeu-nos e nós não temos ninguém para justificar-nos. Carregou nossas transgressões e culpa de nossas iniqüidades, e foi ferido por causa de nossas transgressões. Suportou nossos pecados em cima de seus ombros para que nós possamos encontrar o perdão para nossas iniqüidades. Nós seremos curados por suas feridas, quando o ETERNO o recriar em uma nova criatura. E trazê-lo ao círculo da terra, levantá-lo de Seir, para que nós possamos o ouvir pela segunda vez."

Musaf
- sãos as orações de acréscimos no sidur, o livro de orações e louvores judaicos usados nas sinagogas.

Seir - se refere ao lugar onde Esaú foi. Esaú (que é chamado também de Edom) na literatura Talmúdica alude ao cristianismo.

Rabino Moshé, "o Pregador" (século 11) escreveu em seu comentário sobre Genesis (página 660):

No principio D-us fez uma aliança com o Messias e disse ao Messias: 'meu Messias o Justo, aqueles que confiarem em você, seus pecados, trarão sobre você um fardo muito pesado pra você suportar, e Ele (o messias ) respondeu: 'eu aceito contente todas estas agonias em ordem que nenhum só de Israel seja perdido. 'Imediatamente, o Messias aceitou todas as agonias com amor, como se escreve: 'foi oprimido e aflito'.

Pesiqta (sobre Isa.61:10):
Grandes opressões foram colocadas em cima de você, como diz: Pela opressão e pelo juízo foi levado e quem dentre os da sua geração considerou que ele fora cortado da terra dos viventes, ferido por causa da transgressão do meu povo? (Isa.53: 8), como ele dizem: mas Adonay fez cair sobre ele a iniqüidade de todos nós.'(Isa.53: 6). "

Hinei Tzemach Shmô
Eis que se chamará Renovo
Zechariah 6:11-12

Rabi. Joshua ben Levi diz : o nome do Mashiach é Tzemach…
Talmud Brachot Cap. 2 Halachá 4
No Midrash Mishlei, o Rabino Huna fala dos "sete"
nomes do Messias, tirado tambem de Isaias 9:5

Rebbe Rabi Menachem Mendel Schneerson
É preciso lhes dizer que a verdadeira e perfeita Redenção depende inteiramente de nós; pois se nós, judeus, voltarmos a D'us com um sincero arrependimento, seremos imediatamente redimidos pelo nosso justo Mashiach (Messias).

Divindade do Messias


Por Rabino Joseph Shulam - Jerusalém, Israel.
www.netivyah.org
 

Introdução:

A divindade do Messias, é a mais importante e principal doutrina do cristianismo. Como judeu crente em Yeshua (Jesus), o homem de Nazaré como Messias (Mashiach) e filho de Elohim (1), eu me vejo a mim mesmo como ponte e união entre meus irmãos judeus e meus irmãos cristãos. Pela primeira frase deste escrito, poderemos notar a relação ambivalente que me coloco entre minha condição de judeu crente e entre a pessoa em sua condição de cristão. A ambivalência é algo que me alegra. E me alegra mais falar na linguagem do Segundo Pacto (2).


"Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação. Um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um El e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos." (Efésios 4.4-6).

O problema que se levanta diante de mim como judeu crente em Yeshua, não é de nenhuma maneira um problema que pertence a mim somente. Este problema é o resultado de dois mil anos de história cristã de perseguição e inimizade contra o povo de Israel, da qual eu não faço parte. Eu não vejo nenhuma relação entre a história cristã e a fé messiânica que tinham os discípulos de Yeshua na época do Segundo Templo, ou pelo menos com a fé que se descreve nas páginas do Segundo Pacto (Brit Chadashá ou Novo Testamento).


Aqui, começo este trabalho sobre a divindade do Messias a propósito com esta curta introdução: e isto com a intenção de dar a este trabalho o contexto que me dita a liberdade da Tradição Oral e os "Princípios da Fé", que foram escritos por sombrios sacerdotes da Idade Média e a época bizantina, os quais não levaram em conta os judeus. A "verdade" tem pelo menos duas caras, existe a verdade pessoal e subjetiva que tenho como judeu que vive na Terra de Israel, e também existe a verdade objetiva, posta a prova por toda pessoa que faz bom uso da razão e deseja conhecer a verdade. Minha fé se encontra exatamente no meio destas duas classes de verdade.


Antes de discutir o tema da divindade do Messias em si, seria bom se definíssemos a importância da fé em um Único Elohim, segundo o que nos ensina a Torá e os profetas, ao meu parecer, qualquer coisa que se opõe à Torá e aos profetas, não pode ser considerado relevante diante da palavra de D'us.


Não há outro mandamento mais claro nas Escrituras como o preceito e obrigação da fé em um só Elohim, o Elohim de Israel, o Elohim de Abraão, o Elohim de Isaque e o Elohim de Jacó. A oração do "Shemá Israel" (3) é o principio mais importante das Sagradas Escrituras, e não há forma de explicar a "Shemá Israel" de tal modo que se possa mostrar que existe mais de um Elohim, no qual o povo de Israel tem permitido crer N'Ele, prostrar-se diante D'Ele ou glorificá-lo.


Vejamos como são claras as palavras do Profeta Isaías:


"Eu sou o Senhor, e não há outro; fora de mim não há D-us; eu te cingirei, ainda que tu não me conheças. Para que se saiba desde o nascente do sol, e desde o poente, que fora de Mim não há outro: Eu sou o Senhor, e não há outro. Eu formo a luz, e crio as trevas; eu faço a paz, e crio o mal; eu o Senhor, faço todas estas coisas. Destilai vós, céus, dessas alturas, e as nuvens chovam justiça; abra-se a terra, e produza-se salvação, e a justiça frutifique juntamente; eu o Senhor as criei". (Isaías 45.5-8).


A meu ver, somos proibidos de nos assegurar e manifestar-nos contra os princípios da Torá e os Profetas. A tradição cristã não tem mais autoridade que as Sagradas Escrituras, e nós devemos ter o cuidado de não delegar autoridade à tradição cristã em qualquer aspecto, para que as divisões e guerras de religião que existiram e existem no cristianismo possam chegar também ao povo de Israel; dividir-nos-iam, separariam e distanciariam do próximo e do coração do nosso povo.


Por outro lado, há também no Tanach (Antigo Testamento) textos como estes:


"Quem subiu ao céu e desceu? Quem encerrou os ventos nos seus punhos? Quem amarrou as águas na sua roupa? Quem estabeleceu todas as extremidades da terra? Qual é o seu nome, e qual é o nome de seu Filho, se é que o sabes? Toda a palavra de D-us é pura; escudo é para os que confiam N'Ele"( Provérbios 30.4-5).


"Mas eles foram rebeldes, e contristaram o seu Espírito Santo; pelo que se lhes tornou em inimigo, e ele mesmo pelejou contra eles. Todavia se lembrou dos dias da Antigüidade, de Moisés, e do seu povo, dizendo: Onde está aqueles que os fez subir do mar com os pastores do seu rebanho? Onde está O que pôs no meio deles o Seu Espírito Santo?" (Isaías 63.10-11).


Nós vemos no Tanach, a realidade de todos os componentes (que envolvem o termo) de Elohim: O Pai, o Filho e o Espírito Santo. Muito antes de começarmos com as escrituras do Segundo Pacto, como judeus devemos nos confrontar com estes e outros textos que se encontram no Tanach. A estas palavras dos profetas, devemos responder claramente, dentro da fé de que Elohim é Um e dentro de um marco judeu. Assim também, nós devemos prestes muita atenção à conjugação dos verbos no plural quando Elohim fala, por exemplo:


"E disse D-us: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se move sobre a terra" (Gênesis 1.26).


"Eia, desçamos e confundamos ali a sua língua, para que não entenda um a língua do outro. Assim o Senhor os espalhou dali sobre a face de toda a terra". (Gênesis 11.7-8).


"Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o principado está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso, Conselheiro, El forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz. Para que se aumente o seu governo e venha paz sem fim, sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, para estabelecê-lo e firma-lo mediante o juízo e em justiça, desde agora e para sempre; o zelo do Senhor dos Exércitos fará isto". (Isaías 9.6-7).


Vemos aqui, que nós devemos esclarecer e explicar a pergunta que brota da mesmo Tanach, e continuar nosso caminho pelas palavras do Segundo Pacto, e à figura, caráter e natureza do Messias.


Mas, para resumir o que vimos anteriormente, devemos dizer umas poucas palavras.


Elohim é Um! De nenhum modo existe outra unidade como Ele. Somente Ele foi, é e será nosso Elohim!

 
 

Tem um filho!


Este filho, segundo Isaías, devia nascer para nós, o povo de Israel!


Este filho que nasceu para o povo de Israel, tem títulos ou graus muito elevados, que nenhuma outra pessoa tem em todas as Sagradas Escrituras. Nunca houve um rei de Israel que tivesse o título de "El forte", e/ou "Pai da Eternidade". E a exegese deste versículo, que é aceita entre nossos irmãos ultra-ortodoxos, de que o profeta Isaías se referia ao Rei Ezequias, não pode resistir e manter-se diante do exame da simples lógica.


Existem lugares onde claramente se vê que o Hakadosh Baruch Hú, associa a alguém em coisas muito essenciais como é a criação do homem e a geração da diáspora (Galut).


Conteúdo:

Os descobrimentos escritos no Segundo Pacto (Novo Testamento).


O Messias nasceu de forma sobrenatural, por meio do Espírito Santo. Devemos dizer que o nascimento em questão, não aparece no Tanach. Mas todos os poderosos da Fé que aparecem no Tanach, nasceram de forma sobrenatural. Isaque nasceu de Abraão e Sara, quando de forma natural não podiam gerar filhos; no nascimento de Jacó também existe um milagre especial; no nascimento e principalmente no cuidado de Moisés, Elohim estava envolvido de forma direta.


No Livro de João, o Messias é chamado "A Palavra", "O Verbo"- "E Elohim era a Palavra" (João 1.1). Não há dúvida que dentro de um marco judeu da época do Segundo Templo, um homem não podia estar mais próximo da identidade de Elohim. No judaísmo pode-se mencionar diferentes pessoas com versículos que se referem a Elohim, isto se encontra com muita freqüência nos Midrashim. Quando veio a Jerusalém o Rabino de Satmer, colocaram um grande letreiro na entrada do bairro de Mea Shearim, que dizia: "Levantai, ó portas, as vossas cabeças; levantai-vos, ó entradas eternas, e entrará o Rei da Glória"! (Salmo 24.7). Sem dúvida alguma que isto se referia ao Rabino de Satmer; assim também não há dúvida que o versículo no Livro de Salmos fala sobre o Santo Bendito seja Ele, Quem é o Rei da Glória. Isto pode-se fazer no sentido figurativo, de forma metafórica, por meio da midrash (comentário e interpretação) somente. O nascimento do Messias, o assombro do povo com relação aos seus atos, as pequenas alusões e as não tão pequenas, como por exemplo, no Evangelho de João capítulo 1; 10.22; 21.28; no Livro aos Romanos 9.5, todas estas citações não dão a possibilidade de rejeitar a divindade de Yeshua o Messias, e principalmente nas palavras do enviado Shaul na Carta aos Filipenses 2.5-10 e aos Colossenses 2.9, que indicam que o Messias teve parte na Criação do mundo e no Principio do universo.


Todas as idéias do Tanach e do Novo Pacto, nos ensinam que o Messias é divino, as, no entanto, fica certa dúvida o que parece como uma contradição entre a Unidade do Hakadosh Baruch Hú (O Santo, Bendito Seja Ele) e a existência de outro ser que representa condições divinas, e títulos como "El Altíssimo", "Pai da Eternidade", além de ter uma série de qualidades e feitos divinos.


Tenho várias regras para poder explicar estas coisas, de tal forma que não saiam do marco da Torá e dos Profetas, e também que não contradigam as escrituras do Segundo Pacto.


1. A primeira regra que trago é a seguinte: "O emissário é igual ao que o envía". O significado geral desta regra está em um princípio no sentido literal desta frase. Quando uma pessoa ou Elohim enviam outra pessoa em seu nome, com sua autoridade e sua aprovação, o enviado chega a ser igual pelo menos de forma judicial, ou legal, em sua parte de responsabilidade com quem o envia. Um homem, inclusive segundo o judaísmo e a Torá, pode se casar com uma mulher através de um emissário, ele (o emissário) não se casará com a noiva, mas o noivo é quem contrairá matrimônio com ela, apesar dele não estar presente no lugar onde se realiza o casamento. Uma pessoa pode se ser culpada por um assassinato, apesar de ter somente contratado um assassino para fazer o serviço em seu lugar. Um profeta pode dizer: "Por isso vivo eu, palavra do Senhor, certamente por ter profanado meu Santuário com todas tuas abominações, te quebrantarei eu também; meu olho não perdoará nem terei misericórdia" (Ezequiel 5.11), o profeta fala como se ele mesmo é Elohim. E isto é pela regra do "emissário é igual ao que o envia".


2. A segunda regra que nos facilita explicar e entender a especial relação que existe entre o Messias e seu Pai que está nos céus, é o fato que na Torá também Moisés é chamado "elohim", vejamos em Êxodo 4.15-16 e 7:1. O significado destas coisas, e também dos versículos dos Salmos onde neles há frases como: "vós sois deuses ("elohim"), e todos vós filhos do Altíssimo" (Sal. 82.6), é que apesar de tudo, no Tanach há a possibilidade de chamar o homem de "elohim", sem ter que anular ou violar a Unidade de Elohim e Sua particularidade. Nós podemos dizer que o Messias é Elohim, no mesmo sentido que se vê na Torá, nos Profetas e nos Escritos. Mas ainda assim, nós devemos tomar cuidado ao dizer algo que dê alguma abertura à idolatria e a crença em vários deuses. O Segundo Pacto, é sem dúvida algo muito claro, temos um só Pai nos céus, e inclusive Yeshua diz e reconhece: "Ouvistes que eu vos disse: "vou, e venho para vós". Se me amasseis, certamente exultaríeis por ter dito: Vou para o Pai; porque o Pai é maior do que eu" (João 14.28).


3. A terceira regra é: a igualdade entre o Pai e Seu filho. Temos um número de versículos no Segundo Pacto e também nas Midrashim (Parábolas) que nos falam da igualdade entre Elohim e o Messias, o Primeiro Homem" (Adam Hakadmón). Vejamos na midrash como são parecidos o Santo, Bendito seja Ele, e o primeiro homem. "Disse o Rabino Hoshea: Na hora que o Santo, Bendito seja Ele, criou o primeiro homem, se confundiram os anjos adoradores e disseram em sua Presença "Santo", isto é parecido ao rei e um ministro que estavam na carroça e as multidões disseram ao rei "Dominu" (Senhor em latim) e eles não sabiam quem dos dois era o rei. Que fez o rei? Empurraram e tiraram o ministro fora da carroça e entenderam que ele era o ministro. Assim também foi a hora que o Santo, Bendito seja Ele, criou o primeiro homem, os anjos do Serviço se enganaram e disseram em sua presença "Santo" (Kadosh). O que fez o Santo, Bendito seja Ele? Fez cair sobre ele um profundo sono, e compreenderam tudo, que este era o homem, como está escrito: "Deixai-vos, pois do homem cujo fôlego está no seu nariz; porque em que se deve ele estimar? (Isaias 2.22 ). No Novo Pacto a igualdade entre o Messias Yeshua e seu Pai é muito clara (João5.19-29; 14.6-11).


"Crede-me que estou no Pai, e o Pai em mim (...)" (João 14.11), aqui Yeshua faz uma comparação entre ele e seu Pai que está nos céus. É muito claro que aqui há uma situação na qual Yeshua descreve sua autoridade nisto: que Ele esta no Pai e o Pai nEle. Não há possibilidade de uma discrição mais dinâmica da igualdade, a qual descreve que eles estão um dentro do outro, a meu parecer é a descrição mais alta da união entre o Filho e o Pai.


4. A quarta regra, que precisamos e podemos utilizar nas fontes de nossa tradição e explica a comparação até onde for possível nas palavras e idéias judaicas e não com conceitos cristãos, os quais são quase impossíveis de serem traduzidos ao hebraico sem que soem ridículos. Por exemplo, nos livros de oração ortodoxos se encontram o poema "Shir HaKavod"(Cântico de Honra). Este poema é recitado na oração de Mussaf nos dias de Shabat e de festividades. Eu desejo citar várias linhas deste poema e demonstrar como se depara o judaísmo com comparações e com as diferentes faces que tem Elohim nas Escrituras:


Te alegorizam, mas não segundo Tua realidade,

e eles te imaginam segundo Tuas proezas.

Te simbolizam em muitas visões, mas Tu es Único,

contendo todas as alegorias.

Vêm em Ti a Antigüidade e o poderio, e o

cabelo de Tua cabeça grisalho e negro ao mesmo tempo.



Antigüidade no dia do julgamento e poderio no dia da batalha,

como homem de guerra que tem muito poder.

O elmo da salvação Ele colocou em Sua cabeça,

A salvação para Ele, é Sua destra e Seu braço sagrado.

Com gotas de orvalho luminoso Sua cabeça é coberta,

Seus cachos são as chuvas da noite.


O que este cântico quer nos dizer, nos ajuda a introduzir o Messias no mundo do pensamento do judaísmo e as Escrituras, sem ter que se basear no mundo do pensamento dos pais da Igreja e o recente Cristianismo. Este poema foi escrito por Abarbanel. Ele foi um dos rabinos mais sagazes da polêmica entre os judeus e os cristãos da Espanha, e apesar disso, quando vemos todo o poema, não se pode deixar de conceber a idéia de que ele escreveu sobre o Messias. Vejam quantas semelhanças há, inclusive neste pequeno pedaço as alusões sobre a figura do Messias são muitas.


Nós devemos aprender algo do judaísmo sobre este tema. Há temas que são de muito interesse para discutir entre rabinos, mas não servem para as pessoas, inclusive podem ofender a mais simples, porque a pessoa simples não tem os instrumentos necessários para medir e introduzir temas tão difíceis como este em seu mundo. Por isso, há coisas como a relação entre a essência do Pai, o filho e o Espírito Santo, que é bom nos mantermos nelas e que as defendamos, porém não deveríamos saltar primeiro diante do judeu simples e impor-lhe uma montanha como barril.


E para terminar, acrescento as palavras de Shaul:

"Deles são os patriarcas, e também deles descende o Messias, segundo a carne, o qual é sobre todos, D-us (El) bendito para todo o sempre. Amém". (Romanos 9.5)

 
 

__________________________________________________

(1) Elohim, El, Elohá, como está escrito, por exemplo, no primeiro capítulo do libro de Gênesis: "No princípio criou Elohim". Não utilizamos a palavra Deus em português, (anglosaxão God, alemão Gott), porque o significado da palavra se deriva de duas raízes linguísticas indoeuropeias: "div"que significa "brilhar", "iluminar", "dia", ou "céu" e da raiz thes em thessathai que significa "implorar", e desta procede o nome da deidade pagã Zeus; por outro lado, do conceito "div" se deriva a idéia de considerar ao céu "deus pai" e a terra como a "deusa mãe". (2) O Segundo Pacto, mais conhecido no mundo cristão como Novo Testamento. (3) Ver Deuteronômio 6.4.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

PERSCRUTAR A TORAH da LITERATURA BÍBLICA AOS MESTRES DE ISRAEL


 


 


 


 


 

Elio Passeto, nds


 

Ratisbonne - Jerusalém


 


 


 


 


 

'Moisés recebeu a Torah do Sinai e a transmitiu a Josué, e Josué aos Anciãos, os Anciãos aos Profetas, os Profetas aos Homens da Grande Assembléia. Estes diziam três coisas : sede prudentes no julgamento, formai muitos discípulos e fazei uma cerca ao redor da Torah' 1.


 


 


 


 

O Objetivo deste artigo é apresentar, mesmo se de modo não exaustivo, uma prática que formou e nutriu o povo judeu durante a sua história : O MIDRASH - 2 (plural: Midrashim). O dinamismo existente entre a Palavra de Deus revelada e o seu processo contínuo de revelação no encontro que ocorre em quem nela busca, é o que caracteriza tal literatura. É dela que nos ocuparemos neste estudo. Trata-se de um ato que não pode ser reduzido a um mero sistema de interpretação, no qual cada momento é regulado e controlado, mas sim de uma relação amorosa entre Aquele que se dá,

revelando-se, e o homem que busca conhece-lo melhor 3.


 


 


 


 


 

1 - Mishna Abôt, 1,1.

2

- Note-se que alguns temas aqui desenvolvidos serão retomados por P. Lenhardt; não se considere uma mera repetição, pois o enfoque dos dois estudos é diferente.


 

3 - 'O Midrash não é um comentário científico da Bíblia, e nem um jogo com o texto. Mesmo não excluindo um certo prazer de jogar com as palavras, é, de todo modo, uma tentativa de penetrar mais profundamente na linguagem da revelação. Trata-se essencialmente de uma frequentação de fé no texto bíblico, com o objetivo de escutar Deus e entrar em comunicação com Ele. Pondo-se com cuidado na escuta do texto, prestando atenção até nos mínimos detalhes lingüisticos, procura-se sondar as profundezas da revelação, experimentar a continuada presença de Deus e convencer-se da solidez de suas promessas'. STEMBERGER, G., Il Midrash, Edizioni Dehoniane, Bologna, 1992, p.8.

 


 


 

É ato de fazer viver uma Palavra que se concretiza no encontro entre Aquele que a dá e o homem que a recebe.


 

O MIDRASH E SEU DESENVOLVIMENTO


 


 


 


 


 

É difícil determinar cronologicamente o nascimento do Midrash na história do povo judeu; a história que a ele se refere, já o apresenta como uma prática cujas raízes estão inseridas num passado distante. É possível que seu aparecimento deva permanecer impreciso historicamente, pois isto faz parte de um processo que se desenvolve conjuntamente com a revelação e com a consciência que o povo judeu adquiriu da Palavra de Deus em sua história.


 


 

No entanto, é possível estudar a importância do Midrash e seguir seu desenvolvimento já na própria Bíblia, percebendo a sua ulterior evidenciação nos Mestres de Israel.


 


 

O termo Midrash é empregado duas vezes no próprio texto da Bíblia; nos dois casos, trata-se de uma referência não a textos bíblicos propriamente ditos, mas a textos extra-bíblicos : "O resto dos atos de Abiá, seus feitos e seus atos estão escrito no comentário (Midrash) do vidente Idô" (2Cr.13,22). Uma segunda vez, no mesmo livro, 2Cr.24,27 : "...isso não está escrito no comentário ao livro dos Reis? (notar que a Bíblia de Jerusalém traduz : comentário (TEB) por "Midraxe").


 


 

Na realidade, a definição do termo Midrash é muito vasta. Vem da raiz DeRaSH que significa, entre outras coisas, buscar, pesquisar, examinar, estudar, expor, perscrutar, etc. Esta raiz é empregada na Bíblia com uma certa freqüência; recebeu significados vários, alguns com mudanças no decorrer do tempo, mas sempre girando em torno do conceito de busca, estudo, indagação. Reparemos, contudo, como neste movimento, que é aparentemente unilateral, existe ao mesmo tempo uma resposta, proporciona um encontro : "Buscai (DiR'SHu) o Senhor e vivereis..." (Am. 5,6); "...a vós que buscais (DoR'SHei) a Deus, que viva vosso coração" (Sl.69,33).

 


 


 

Esta indagação, progressivamente, se concentrará de modo exclusivo na Palavra de Deus (isto é, o texto da Escritura). Este processo não tem início somente quando a Bíblia está concluída, mas nela mesma já encontramos testemunhos :

'Os primeiros desenvolvimentos do Midrash devem ser procurados na própria Bíblia, e na literatura que lhe é correlata : versões, apócrifos, etc.' 4.


 


 

Os livros que vieram depois do Pentateuco o utilizaram como ponto constante de referência; os Salmos reinterpretaram os textos bíblicos já existentes; os Profetas legitimavam-se sucessivamente um ao outro.

Vejamos como o Sl.78 faz uma leitura da História de Israel, enriquecendo-a, contudo, com uma interpretação que lhe é própria.

Do mesmo modo, Ezequiel 16 interpreta a história do povo hebreu a partir de seu início, passando pelo Êxodo, o Sinai, a aliança, etc. Os livros das Crônicas fazem uma releitura sobretudo dos livros dos Reis. Em Sb.16, 6-7, é evidente a atualização do texto bíblico : "... que lhes recordava o mandamento de tua Lei. Com efeito, todo aquele que se voltava para ele era salvo, não em virtude do que via, mas graças a ti, o Salvador de todos". O texto é uma explicação e atualização teológica de Nm.21,9 no qual o enfoque, no entanto, é a serpente, meio que garante a cura : "Moisés fez uma serpente de bronze e a fixou numa haste; e quando uma serpente mordia um homem, este olhava a serpente de bronze e tinha sua vida salva".

A busca conduzida a partir do livro, Palavra de Deus, gera assim outros livros; estes também são Palavra de Deus. É um desabrochamento do ato original da Revelação. Não se trata de uma nova revelação, mas sim da única revelação que se renova. Esta busca concreta da Palavra de Deus é animada por um espírito que quer compreendê-la, explicá-la, torná-la compreensível à comunidade : "Buscai no livro do Senhor e lede..." (Is.34, 16). Percebe-se, neste espírito, como o estudo torna a Torah conhecida e viva na oralidade de sua interpretação.

Sem querer reduzir a tradução da Bíblia para o grego (a Setenta) a um Midrash, é legitimo, contudo, considerar esta versão como algo mais do que uma simples tradução. Percebemos nesta obra

o esforço de compreensão e de interpretação do texto, para dar-lhe, em grego, o sentido exato.


 


 

4 - BLOCH, R. Écriture et Tradition dans le judaisme, Aperçus sur l'origine du Midrash, in "Cahiers Sioniens" VIII,I, 1954, p. 23. - Traduzido para o português - Seminário de Sion - Ipiranga - SP.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

O Messianismo Catastrófico e as Origens do Cristianismo


 

Francisco Chagas Vieira Lima Júnior1


 


 

Resumo: O presente trabalho tem como objetivo apontar a precedência do chamado "messianismo catastrófico" em relação às tradições cristãs, enfatizando que a crença no messias filho de José/Efraim possui antiguidade pré-cristã e que não se trata de uma concepção messiânica derivada do cristianismo.

Palavras-chave: Messias. Cristianismo primitivo. Efraim. Revelação de Gabriel.

Abstract: This work aims to point out the precedence of the so-called "catastrophic messianism" in relation to Christian traditions, emphasizing the belief at Messiah son of Joseph/Ephraim is pre-Christian and that it is not a messianic conception derived from Christianity.

Keywords: Messias. Primitive Christianity. Ephraimi. Revelation of Gabriel.


 


 

Acreditava-se, até recentemente, que os judeus da Palestina judaica da época de Jesus concebiam a vinda de um só messias, o messias "filho de Davi", que restauraria a realeza. No entanto, novas descobertas - e com elas novas interpretações sobre o imaginário judaico-cristão primitivo - têm mudado essa visão. Mediante essas descobertas, os pesquisadores se tornaram cada vez mais dispostos a conceberem o messianismo judaico da época de Jesus como pluriforme e variado, existindo não só uma ou duas, mas inúmeras concepções sobre o messias. O presente trabalho traz alguns apontamentos sobre o chamado "messianismo catastrófico", sua antiguidade e sua relação com as tradições cristãs. Esperamos contribuir também para apagar os mitos de que os judeus do primeiro século não foram capazes de conceber um messias que morre e que a concepção messiânica na época de Jesus era homogênea.


 

1. Repensando o Messianismo

Não foram poucos os estudiosos que alegaram que a ideia de um messias sofredor, cujo destino era ser humilhado e assassinado, era uma ideia estranha às tradições messiânicas existentes na Palestina judaica do século I d.C. Rudolf Bultmann (apud, KNOHL, 2001: 16) talvez tenha sido o estudioso que mais contribuiu para a disseminação dessa visão: "a ideia de um Messias, ou filho do Homem, sofredor, morrendo e ressuscitando era desconhecida no judaísmo". Geza Vermes (2006: 215), por sua vez, não deixa dúvidas de que o modelo de messias que morre é posterior à escrita dos Evangelhos bíblicos:


 

A representação do Messias assassinado da tribo de Efraim, ocasional- mente mencionado na literatura rabínica [...] é de pouca valia para o estudo dos Sinóticos. [...] Como nenhum texto fale do Messias assassina- do anterior à segunda revolta judaica contra Roma durante o reino de Adriano (132-5 d.C.), é provável que a figura tenha sido moldada a partir do líder derrotado daquela rebelião, Simon bar Kosiba, que foi morto na batalha de Betar em 135 d.C. Assim, ele não se qualifica cronologica- mente como modelo potencial para o Messias dos Evangelhos.


 


 

1 Graduando do curso História Licenciatura – Universidade Estadual do Maranhão - Centro de Estudos

Superiores de Imperatriz (UEMA/CESI), 8° período. E-mail: jrcoffer@hotmail.com

69

 

Com freqüência a literatura rabínica faz menção a um messias chamado "Messias ben Efraim", também chamada de "Filho de José" ou "Filho de Efraim", que deveria morrer para salvar Israel. O Talmude Babilônico, Sukka 52a, que geralmente é concebido como a primeira referência ao messias filho de José na literatura rabínica, traz o seguinte texto:


 

"E a terra pranteará, família por família à parte. A família da casa de Davi à parte e suas mulheres à parte" (Zc 12:12). [...] Qual é a causa do luto? Rabi Dosa e os rabinos diferem. Um diz: "É por causa do Messias ben José que foi assassinado"; [...] por isso é que está escrito: "e eles olharão para mim. Quanto àquele que eles transpassaram, eles o lamentarão como se fosse a lamentação de um filho único; eles o chorarão como se chora um primogênito (Zc 12,10) [...] Nossos rabis nos ensinaram: O Santo, Bendito seja Ele, dirá ao Messias filho de Davi (que ele possa se revelar o mais breve possível em nossos dias!): "Peça-me qualquer coisa e eu lhe darei" (Salmos 2) [...] Mas quando ele perceber conta de que o Messias Filho de José está morto, ele dirá: "Senhor do universo, peço de você somente o dom da vida" (cf. MITCHELL, 2006: 77, 83).


 

No entanto, a escritura do Talmude só começou nos séculos posteriores ao cristianismo e, portanto, conforme o exposto por Geza Vermes, o Messias Filho de José pode ser uma invenção judaica criada a partir de Jesus para competir com o cristianismo. Em todo caso, tal modelo de messias era concebido pelos estudiosos como bastante tardio para ser capaz de trazer alguma contribuição aos estudos sobre o cristianismo primitivo, e foram muitos os especialistas que viram na figura messiânica de Efraim, ou Messias filho de José, uma "cópia" deliberada da figura messiânica de Jesus apresentada nos Evangelhos, e por isso não lhe deram crédito e muito menos antiguidade.

No entanto, como ressalta Scardelai (1998: 120): "O caráter da doutrina messiânica no tempo de Jesus é marcado pela fluidez e espontaneidade, além da quase total ausência de princípios doutrinários cristalizados". Em outras palavras, não se deve esperar que o messianismo palestino-judaico do primeiro século apareça com uma só forma. Um desses modelos seria o do "servo sofredor", tal como apresentada no texto do profeta Isaías (53.3-5) que o retrata como justo, manso e humilde:


 

Era desprezado e abandonado pelos os homens, homem sujeito à dor, familiarizado com o sofrimento, como pessoa de quem todos escondem o rosto; desprezado, não fazíamos caso nenhum dele. E, no entanto, eram nossos sofrimentos que ele levava sobre si, nossas dores que ele carre- gava. [...] Mas ele foi trespassado por causa das nossas transgressões, esmagado por causa das nossas iniqüidades. O castigo que havia de trazer-nos a paz, caiu sobre ele, sim, por suas feridas fomos curados.


 

Flusser (apud, SCARDELAI, 1998: 299), erroneamente, afirma que a ideia do

messias como o "servo sofredor" de Isaías foi exclusiva do cristianismo:


 

A exegese cristã privilegiou o significado vicário do sofrimento de Jesus, à luz da figura do "servo", retratado por Isaías, uma abordagem rejeitada pe- lo judaísmo normativo. A exegese judaica não aplica a imagem do "servo de Isaías" às qualificações pessoais messiânicas, exceto se aí estiver pre- sente a figura do próprio Israel coletivo, o "servo de Deus" por excelência.


 

No entanto, essa visão é equivocada. Knohl (2001: 38) afirma que: "[...] a interpretação messiânica de Isaias 53 [sobre o "servo sofredor"] não foi descoberta na igreja cristã. Ela já havia sido desenvolvida pelo Messias de Qumrã". O movimento de


 

70

 

Qumrã, de acordo com Knohl (2001: 28, 31), já trazia a ideia de que o messias iria padecer, mas que também seria glorificado, que consta nos "Hinos Messiânicos dos Manuscritos do Mar Morto":


 

"[Quem] foi desprezado como [eu? E quem] foi rejeitado [pelos homens] como eu? Quem, como eu, suport[ou todas as] aflições? Quem se compa- ra a mim [na resist]ência do mal? [...] [Q]uem foi considerado desprezível como eu e, no entanto, quem é igual a mim em minha glória?"


 

Tendo essa ideia sido explorada, juntamente com a do messias levítico, antes mesmo do cristianismo vir a existir, é lógico conceber que vários movimentos messiâ- nicos e apocalípticos dos primeiros séculos compartilhavam dessas mesmas crenças.

De acordo com Mitchell (MITCHELL, 2008 [online]), esse modelo de "servo sofredor" foi o principal inspirador de um tipo de messianismo diferente do messianismo real e sacerdotal, e que podemos encontrar indícios da existência da crença nesse messias nos Manuscritos de Qumrã. Esse modelo foi chamado de "messianismo efraimita-josefita", ou "Messias filho de Efraim/José".

Para provar a existência desse messias, Mitchell (2008: 03 [online]), compara as afirmações do Talmude Sukka 52b, que faz menção a quatro personagens escatológicos, chamados de "Os Quatro Artesãos", com o manuscrito de Qumrã de

4Q175 (4QTestimonia), uma antologia messiânica e coleção de textos bíblicos

fundamentais ou "testemunhos", relacionadas com a crença messiânica. O Talmude

Sukka 52b (In: MITCHELL, 2008: 03 [online]) traz a seguinte passagem:


 

E o Senhor me mostrou quatro chifres (Zac 2.3 [1.18]). O que são esses quatro chifres? R. Hana B. Bizna cita o R. Simeon Hasida que responde: O Messias filho de David, o Messias filho de José, Eliahu (Elias) e o Sacerdote Justo. R. Shesheth objetou…, estes quatro personagens estão relacionados com o exílio diaspórico.


 

Desse modo, esses "quatro artesãos" se referem a: 1) o "Messias filho de Davi"; 2) o "Sacerdote Justo", ou "Melchizedek" (Melquisedeque); 3) Elias; 4) o "Messias da Guerra", que se refere ao "Messias filho de José".

Segundo Mitchell (2008: 06 [online]), de modo surpreendentemente idêntico, o manuscrito de Qumrã de 4Q175 (4QTestimonia), traz uma menção dos "Quatro Artesãos" apresentados na mesma ordem: o profeta, o rei, o sacerdote e o guerreiro, como libertadores escatológicos, começando suas correspondentes referências bíblicas: (1) Deut. 18.18-19, que discorre sobre o profeta como Moisés (profeta), (2) Num 24.15-17, que alude à estrela que sai de Jacó (rei); (3) Deut. 33.8-11, que menciona a bênção dos Levitas (sacerdote); (4) Josué 6.26, que menciona a maldição de Josué a Jericó, seguido de uma passagem do "Apócrifo Josué", também chamado de "Salmos de Josué" (4Q379) outro documento encontrado em Qumrã.


 

Comparação entre Os Quatro Artesãos da literatura rabínica e 4Q175

4Q175 (Qumrã)

Profeta

Rei Messias

Sacerdote

Josué, Messias da

Guerra (filho de

José)

Os Quatro Artesãos da tradição rabínica

Profeta

Rei Messias

Sacerdote

Messias da Guerra

filho de José

Diagrama 01: Os Quatro Artesãos & 4Q175 Fonte: Mitchell, The Fourth Deliverer, p. 4.


 


 

De acordo com Mitchell (2008: 02, 03 [online]), as implicações messiânicas que surgem no quarto depoimento a respeito de Josué não devem ser desprezadas:


 

71