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domingo, 30 de maio de 2010

SHABAT. UM PEDAÇO DA ETERNIDADE



 

(As versões bíblicas aqui utilizadas são a Almeida Corrigida Fiel e a Bíblia Hebraica, da Editora Sêfer).


 



 

Pergunte a um pastor ou a um cristão membro de uma das inúmeras igrejas cristãs existentes, se o Shabat (sábado) deve ser guardado e observado pelo servo de Deus. A resposta será que NÃO, pois Yeshua (Jesus) aboliu a lei de Moisés e pelo fato dele ter ressuscitado no PRIMEIRO DIA DA SEMANA (domingo), este deve ser o dia a ser guardado e observado. As palavras podem variar de pessoa para pessoa, mas esta sempre será a essência da resposta.

O sábado é um dos maiores problemas no seio da cristandade. Não consigo compreender como que o homem pode imaginar que algo que é uma bênção, como o sábado, pode ser tão desvalorizado assim. O Shabat que o Eterno de Israel concedeu ao homem não é um fardo ou uma maldição. É uma bênção que se estende até aos animais (Ex. 20:10)!

Tentarei aqui fazer uma exposição do verdadeiro caráter do sábado, desconhecido até mesmo pelos cristãos que se dizem seguidores de um Messias que era de fato judeu e como todo bom judeu, observava o sábado conforme prescrito pelo Eterno.


 

O Significado da Palavra


 

A palavra hebraica Shabat (tfba$) significa "cessar, descansar, tomar alento, revigorar-se". Depois do dia da expiação (Yom Kippur), o Shabat é o dia mais sagrado e inviolável. Ele representa o elo entre o povo judeu e o Deus de Israel: "É um sinal entre mim e os filhos de Israel para sempre"
(Êx. 31:17 – ênfase minha). A Torá nos diz que após o Eterno ter completado toda a obra da criação Ele santificou o sétimo dia e o abençoou (Gn. 2:3). Sendo assim, a primeira menção do Shabat tem relação com a obra da criação: "Porque em seis dias fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou; portanto abençoou o SENHOR o dia do sábado, e o santificou" (Êx. 20:11 – ênfase minha).

Aqui é dito que o Eterno Deus DESCANSOU de suas obras. O que isso significa? Deus se cansa? "Não sabes, não ouviste que o eterno Deus, o SENHOR, o Criador dos fins da terra, nem se cansa nem se fatiga? É inescrutável o seu entendimento" (Is. 40:28). O que significa então quando a Torá diz que Deus descansou no sétimo dia? Os antigos sábios diziam que se Deus, que não se cansa, descansou de sua labuta no sétimo dia, com muito mais razão o homem frágil que se cansa tão facilmente deveria interromper seu trabalho no sábado. Logo, a linguagem antropomórfica que a Torá utiliza neste versículo, é para nos mostrar este exemplo dado pelo próprio Deus ao homem.


 

Há ainda uma outra razão histórica para a sua observância:


 

"Porque te lembrarás que foste servo na terra do Egito, e que o SENHOR teu Deus te tirou dali com mão forte e braço estendido; por isso o SENHOR teu Deus te ordenou que guardasses o dia de sábado" (Dt. 5:15).


 

Este versículo faz referência à libertação do povo de Israel das mãos do Egito, após duros e longos anos de escravidão. Se por um lado a Torá ordena guardar o Shabat porque Deus realizou a obra da criação em seis dias e ao sétimo descansou, por outro lado ela também ordena guardá-lo por causa da libertação do povo de Israel do Egito. Afinal de contas, qual deve ser o motivo para que guardemos o Shabat? O que existe de comum nos dois relatos bíblicos?

Vamos agora, analisar as duas passagens bíblicas acima (Êx. 20:11; Dt. 5:15) e ver o que podemos enxergar de comum nas duas, que confirma que o sábado deve ser guardado e considerado um dia de regozijo e de alento.


 

O Shabat Significa Libertação


 

Primeiramente nos é dito que o Senhor Deus criou o mundo em seis dias e ao sétimo Ele descansou. A obra da criação foi encerrada com a criação do homem, que foi colocado no Gan Éden (Jardim do Éden) para cultivá-lo. Vale notar que a palavra hebraica Gan (}ag) significa "área cercada ou protegida, jardim cercado", conforme podemos ver em Ct. 4:12. Logo, podemos deduzir que o jardim era mais do que um simples jardim. Era um local protegido, cercado. E se era protegido, ele deveria ser protegido de algo que poderia colocar a vida do homem em risco.

Ali no jardim o homem estaria a salvo e desfrutaria de comunhão plena com o Senhor. Porém ao pecar, o Senhor lançou o homem para fora do jardim (Gn. 3:23) e o castigou com fadiga e trabalho. É justamente esse o ponto chave da questão: o trabalho é um castigo de Deus ao homem.

Até então, o homem desfrutava de plena comunhão com seu criador. Não precisava trabalhar para ter o seu sustento, pois já tinha de tudo no paraíso. Deus havia providenciado de tudo para que o homem e sua companheira desfrutassem de uma vida totalmente abençoada. Dia após dia o homem vivia um pouco da eternidade. Possivelmente o homem e a mulher jamais morreriam, pois eles tinham acesso à árvore da vida. Só o que eles não podiam comer era o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Quando o homem pecou, ele perdeu as regalias que Deus havia dado a ele e à sua esposa. A partir de agora ele deveria "correr atrás" de seu sustento, trabalhar para comer. O homem e sua mulher foram expulsos do paraíso, para que eles não comessem da árvore da vida e vivessem eternamente (como outrora).

Deus castigou a mulher com dores ao dar à luz, e ao homem ele deu trabalho e fadiga para se obter o pão de cada dia. A verdade é bem clara: o trabalho foi a maneira que Deus utilizou para castigar o homem.

Sendo assim, quando Deus nos diz "Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR teu Deus; não farás nenhuma obra, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o teu estrangeiro, que está dentro das tuas portas. Porque em seis dias fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou; portanto abençoou o SENHOR o dia do sábado, e o santificou"
(Êx. 20:9-11 – ênfase minha), isso significa que o Eterno deseja estabelecer um dia na semana para que o homem volte a viver como no jardim do Éden, desfrutando de comunhão com Deus. Vivendo uma parte da eternidade perdida. O Shabat é o dia da semana em que o homem retorna aos tempos antigos, ao jardim do Éden e desfruta de suas delícias. É um momento para se libertar do jugo do trabalho, que é um castigo de Deus pela rebeldia humana. No Éden, todos os dias era um Shabat a ser vivido.

Quando Deus deu o Shabat ao homem, Ele demonstrou a Sua misericórdia, pois no Shabat o castigo do trabalho pronunciado por Deus é suspenso e o homem pode novamente entrar em sintonia com o divino. É um tempo para restaurar as forças, tomar alento e relembrar que o Deus criador deseja obediência às Suas palavras. É por isso que o Shabat é destinado até mesmo aos animais, pois eles também desfrutavam do Gan Éden assim como o ser humano. Como toda a criação foi afetada pela desobediência humana (até os animais), assim também os animais merecem descanso do trabalho que o homem lhe submete.

Portanto, o Shabat representa LIBERTAÇÃO e não ESCRAVIDÃO, JUGO ou SERVIDÃO. É por isso que mais à frente o Eterno diz:


 

"Porque te lembrarás que foste servo na terra do Egito, e que o SENHOR teu Deus te tirou dali com mão forte e braço estendido; por isso o SENHOR teu Deus te ordenou que guardasses o dia de sábado" (Dt. 5:15).


 

Sabemos que o povo de Israel vivia no Egito em um sistema de dolorosa escravidão. Faraó chegou até mesmo a privar o povo da palha com que faziam os tijolos e os obrigou a colher a própria palha para confeccionarem os tijolos. Foi muito duro ser um "trabalhador" no Egito. Sem direito nem mesmo de "tirar uma folga". O trabalho era árduo e não havia quem livrasse o povo de tamanha escravidão. Repare como era dura a servidão do povo:


 

"Portanto dize aos filhos de Israel: Eu sou o SENHOR, e vos tirarei de debaixo das cargas dos egípcios, e vos livrarei da servidão, e vos resgatarei com braço estendido e com grandes juízos. E eu vos tomarei por meu povo, e serei vosso Deus; e sabereis que eu sou o SENHOR vosso Deus, que vos tiro de debaixo das cargas dos egípcios; E eu vos levarei à terra, acerca da qual levantei minha mão, jurando que a daria a Abraão, a Isaque e a Jacó, e vo-la darei por herança, eu o SENHOR. Deste modo falou Moisés aos filhos de Israel, mas eles não ouviram a Moisés, por causa da angústia de espírito e da dura servidão" (Êx. 6:6-9 – ênfase minha).


 

A angústia de espírito deixou o povo surdo. Nada que se falasse poderia penetrar no coração angustiado e oprimido dos israelitas. Esta angústia era tão grande, que o próprio Deus se compadeceu de Seu povo:


 

"E disse o SENHOR: Tenho visto atentamente a aflição do meu povo, que está no Egito, e tenho ouvido o seu clamor por causa dos seus exatores, porque conheci as suas dores" (Ex. 3:7).


 

É por causa do grande livramento que Deus deu a Seu povo, Israel, que Ele relembra:


 

"Porque te lembrarás que foste servo na terra do Egito, e que o SENHOR teu Deus te tirou dali com mão forte e braço estendido; por isso o SENHOR teu Deus te ordenou que guardasses o dia de sábado" (Dt. 5:15).


 

O Shabat é Um Dia Abençoado e Santificado por Deus


 

Sendo assim, o Shabat é um sinal entre Deus e Seu povo. Um sinal não somente de aliança, mas um sinal de amor e zelo. O Shabat relembra que o jugo do trabalho tem um fim e é Deus que põe fim a este castigo. O Shabat é um tempo de regozijo e alegria. Ele não é um peso, mas a própria Torá nos mostra o que o Shabat significa aos olhos do Criador. Vejamos:


 

"Porque em seis dias fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou; portanto abençoou o SENHOR o dia do sábado, e o santificou" (Êx. 20:11 – ênfase minha).


 

O Eterno ABENÇOOU e SANTIFICOU o Shabat! Nossa, que diferença daquilo que os cristãos dizem acerca do Shabat! O Sábado é uma bênção e ao mesmo tempo algo santo! Guardar o Shabat é sinônimo de bênçãos. Guardar o Shabat é sinônimo de santificação. Veja o que o Eterno diz aos que desejarem guardar o Shabat:


 

"Bem-aventurado o homem que fizer isto, e o filho do homem que lançar mão disto; que se guarda de profanar o sábado, e guarda a sua mão de fazer algum mal. E não fale o filho do estrangeiro, que se houver unido ao SENHOR, dizendo: Certamente o SENHOR me separará do seu povo; nem tampouco diga o eunuco: Eis que sou uma árvore seca. Porque assim diz o SENHOR a respeito dos eunucos, que guardam os meus sábados, e escolhem aquilo em que eu me agrado, e abraçam a minha aliança: Também lhes darei na minha casa e dentro dos meus muros um lugar e um nome, melhor do que o de filhos e filhas; um nome eterno darei a cada um deles, que nunca se apagará. E aos filhos dos estrangeiros, que se unirem ao SENHOR, para o servirem, e para amarem o nome do SENHOR, e para serem seus servos, todos os que guardarem o sábado, não o profanando, e os que abraçarem a minha aliança, Também os levarei ao meu santo monte, e os alegrarei na minha casa de oração; os seus holocaustos e os seus sacrifícios serão aceitos no meu altar; porque a minha casa será chamada casa de oração para todos os povos" (Is. 56:2-7).


 

Note que o Shabat é para todos e não somente para judeus! Se até os animais são abençoados pelo Shabat, imagine o homem seja de qual povo ele for!! O Shabat não é propriedade dos judeus. Sabe de quem é o Shabat? Veja:


 

"Tu, pois, fala aos filhos de Israel, dizendo: Certamente guardareis meus sábados; porquanto isso é um sinal entre mim e vós nas vossas gerações; para que saibais que eu sou o SENHOR, que vos santifica" (Êx. 31:13).


 

"Cada um temerá a sua mãe e a seu pai, e guardará os meus sábados. Eu sou o SENHOR vosso Deus" (Lv. 19:3).


 

"Guardareis os meus sábados, e o meu santuário reverenciareis. Eu sou o SENHOR" (Lv. 19:30).


 

"E também lhes dei os meus sábados, para que servissem de sinal entre mim e eles; para que soubessem que eu sou o SENHOR que os santifica" (Ez. 20:12).


 

"Porque rejeitaram os meus juízos, e não andaram nos meus estatutos, e profanaram os meus sábados; porque o seu coração andava após os seus ídolos" (Ez. 20:16).


 

Viu? O Shabat é do Eterno. O Shabat não é "coisa de judeu". Quando profanamos o Shabat, estamos profanando algo que pertence ao Eterno. Quando quebrantamos o Shabat, estamos pecando contra DEUS e não contra os juDEUS. O texto citado acima (Is. 56:2-7) mostra que aqueles que desejam se unir ao Eterno para o SERVIREM, AMAREM e SEREM SEUS SERVOS, também guardarão o Shabat. E ao fazerem tudo isso, estarão recebendo do Eterno, o direito e o privilégio de serem levados ao Santo Monte do SENHOR. A guarda do sábado não conduz à salvação, mas é por causa da salvação ofertada a nós é que amamos a Deus e guardamos o Shabat.

O Shabat tem sido combatido por tantos séculos, que isso já está enraizado na consciência dos cristãos. Eles não param para se questionar e nem para estudar mais a fundo acerca deste tema. Eles apenas pegam suas revistinhas da escola dominical, sentam no banco da classe na igreja e ficam balançando suas cabeçinhas como vacas de presépio.

Tem um hino cristão que diz: "Sei que Deus tem pra mim (ti) um manancial cujas águas nunca faltarão". Este hino está baseado em Is. 58:11. Porém, veja o contexto do texto:


 

"E o SENHOR te guiará continuamente, e fartará a tua alma em lugares áridos, e fortificará os teus ossos; e serás como um jardim regado, e como um manancial, cujas águas nunca faltam. E os que de ti procederem edificarão as antigas ruínas; e levantarás os fundamentos de geração em geração; e chamar-te-ão reparador das roturas, e restaurador de veredas para morar. Se desviares o teu pé do sábado, de fazeres a tua vontade no meu santo dia, e chamares ao sábado deleitoso, e o santo dia do SENHOR, digno de honra, e o honrares não seguindo os teus caminhos, nem pretendendo fazer a tua própria vontade, nem falares as tuas próprias palavras" (Is. 58:11-13 – ênfase minha).


 

Perceba: "...o SENHOR te guiará continuamente, e fartará a tua alma em lugares áridos, e fortificará os teus ossos... Se desviares o teu pé do sábado, de fazeres a tua vontade no meu santo dia, e chamares ao sábado deleitoso, e o santo dia do SENHOR, digno de honra, e o honrares não seguindo os teus caminhos, nem pretendendo fazer a tua própria vontade...".

Estas bênçãos são destinadas somente aos que desviarem seus pés de profanarem o sábado (Shabat), àqueles que guardarem o Shabat com o devido respeito.

No reino do Messias, o Shabat será observado:


 

"E será que em cada lua nova e em cada sábado, virá toda a carne a adorar perante mim, diz o SENHOR" (Is. 66:23).


 

O ponto de referência aqui é o Shabat: "...em cada sábado...". Não se fala de Domingo, Segunda ou outro dia da semana. A referência é o Sábado, o dia abençoado e santificado por Deus desde o Éden. Logo, podemos perceber que o Shabat será observado no milênio.

Para finalizar, quando Deus disse que o Shabat é um sinal entre Ele e Israel para sempre (Êx. 31:17), isso significa que o Shabat é algo perpétuo. Vamos considerar o reinado do Messias no milênio. Olhe o que a bíblia diz:


 

"E trarão a todos os vossos irmãos
(os judeus), dentre todas as nações, por oferta ao SENHOR, sobre cavalos, e em carros, e em liteiras, e sobre mulas, e sobre dromedários, trarão ao meu santo monte, a Jerusalém (em Israel), diz o SENHOR; como quando os filhos de Israel trazem as suas ofertas em vasos limpos à casa do SENHOR. E também deles tomarei a alguns para sacerdotes e para levitas (novamente os judeus em foco), diz o SENHOR. Porque, como os novos céus, e a nova terra, que hei de fazer, estarão diante da minha face, diz o SENHOR, assim também há de estar a vossa posteridade e o vosso nome (se os novos céus são para sempre, isso significa que Israel existirá para sempre). E será que desde uma lua nova até à outra, e desde um sábado até ao outro (o Shabat como estatuto perpétuo), virá toda a carne a adorar perante mim, diz o SENHOR" (Is. 66:20-23).


 

Viu? Quer mais? Toma:

"Tu, pois, fala aos filhos de Israel, dizendo: Certamente guardareis meus sábados; porquanto isso é um sinal entre mim e vós nas vossas gerações; para que saibais que eu sou o SENHOR, que vos santifica. Entre mim e os filhos de Israel será um sinal para sempre; porque em seis dias fez o SENHOR os céus e a terra, e ao sétimo dia descansou, e restaurou-se" (Êx. 31: 13, 17 – ênfase minha).


 

Quanto tempo durará este "para sempre" do texto? A mesma palavra hebraica usada aqui é usada no versículo de ICr. 29:10 (ênfase minha):


 

"Por isso Davi louvou ao SENHOR na presença de toda a congregação; e disse Davi: Bendito és tu, SENHOR Deus de Israel, nosso pai, de eternidade em eternidade".


 

A palavra hebraica usada no texto é {flO(l (leolam) e significa "eternamente, perpétuo, para sempre". É a mesma palavra que aparece em Êx. 31:17, citado acima. Logo, o Shabat é um sinal ETERNO e portanto, durará eternamente. YESHUA NÃO ABOLIU O SHABAT!

A teologia cristã afirma que esta palavra significa que este mandamento seria perpétuo somente ATÉ A VINDA DO MESSIAS. Mas onde isso está escrito? Se uma coisa é perpétua, é para sempre! Um assassino que é condenado à prisão perpétua entende bem o que é "perpétuo", por que os teólogos não entendem?

Quando Yeshua disse que o Shabat foi feito por causa do homem e não o homem por causa do Shabat, Ele estava simplesmente falando a mesma coisa que está escrita no Talmud Babilônico, que diz que "Yochanan, em [nome de] Rabi Yosef pôs [em questão]: 'o Shabat foi entregue em vossas mãos, e não vós entregues a ele [ao Shabat]' " (Yomá 85b). Lembra quando dissemos que o Shabat é uma bênção para o ser humano? Esta é justamente a idéia de Yeshua ao dizer que o Shabat foi feito por causa do homem.

Yeshua sabia que o Shabat fora dado ao homem para que o homem encontrasse no Shabat, a alegria, a liberdade, o refrigério da alma, a cura. Por isso é que Ele curava as pessoas no dia de Shabat, para libertá-las de seus sofrimentos, a exemplo do povo de Israel sendo libertado por Deus da escravidão do Egito. Quem era curado no Shabat, tornava-se uma nova criatura, recebia novo alento, felicidade e com certeza desfrutava do Shabat com muito mais prazer.

Graças ao Eterno, pelo Shabat!


 

Baruch HaShem ( Bendito seja o SENHOR)!


 

Artigo retirado do site: www.contextojudaico.org


 


 

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Trindade

Sandra Mara Oliveira

A teoria da Trindade é um conhecimento especulativo sistematizado de opiniões e idéias sobre o assunto. Na realidade o termo trindade não é encontrado no Segundo Testamento.

A única declaração que a teologia cristã encontra, como base para tentar explicar a trindade se encontra no Livro de João, confira:

I João 5:7-8 - "Pois, três são os que dão testemunho no céu: o Pai, a Palavra e o Espírito Santo; e estes três são um. E três são os que dão testemunhos na terra: e estes três concordam".

Não há nenhum documento com uma definição clara de trindade. Os escritores e estudiosos da Bíblia Sagrada rejeitam enfaticamente a genuinidade do texto I Jo 5:7-8.

O vocábulo trindade evidentemente foi usado pela primeira vez por Tertuliano - Homem versado na filosofia, direito e literatura. Nascido na província romana de Cartago na África. Converteu-se, e serviu como presbítero em sua cidade natal. Foi o mais rigoroso e mais intransigente dos primeiros apologistas cristãos. Atacava incansavelmente o paganismo, mas no fim da vida, tornou-se membro do movimento montanista, que os principais cristãos consideravam como heresia.

Na última década do século II D.C, a doutrina da trindade formulada por Tertuliano, não encontrou lugar na teologia formal da igreja até o século IV D.C – período em que a doutrina recebeu ampla expressão, pela primeira vez, resultante do conjunto de regras e leis sistematicamente organizadas, para servir de base a doutrina da trindade em meados do século IV D.C pelos capadócios Gregório de Nissa e Gregório Nazianzeno. Trabalharam em fórmulas ortodoxas da trindade, e a declaração resultante foi oficializada pelo Concílio de Constantinopla em 381 D.C. Ainda antes, tal como no credo de Nicéia, declarou-se oficialmente em favor da idéia, e fez o trinitarismo tornar-se a posição ortodoxa. Esse fato ocorreu em 325 D.C.

Nos escritos dos chamados pais da igreja, Inácio, Irineu e Origines, encontram-se fórmulas e regras, leis que serviram de apoio para o desenvolvimento histórico dessa doutrina, cujo objetivo era satisfazer um grupo de teólogos que desenvolviam uma obra erudita. Tomás de Aquino, Karl Barth foram notáveis defensores desse conceito que, na ortodoxia cristã, continua a prevalecer.

David Flusser – "Acredito que a erudição sabia, sem partidarismo, remove obstáculos e pavimenta o caminho para a verdade e para a compreensão mútua. Porém, o confronto entre lados opostos por causa de uma doutrina como a da trindade, é menos honesto e menos durável do que a busca pela verdade" - "Porque estreita é a porta e difícil o caminho que conduz à vida e são poucos que a encontram". (Mt 4:14)

A Torah ensina:

Deuteronômio 4:35 - "A ti te foi mostrado para que soubesses que o Eterno, Ele, o Elohim, nenhum outro, exceto Ele".

O profeta Isaias diz:
"Eu sou o Eterno, e não há outro fora de Mim não há D'us. Eu te fortalecerei, ainda que não me conheces". (Is 45:5)

Marcos 12:29 – "Respondeu-lhe Yeshua: O principal de todos os mandamentos é: Ouve ó Israel, o Eterno nosso Elohim, é o único D'us".  

I Coríntios 8:4 - "Quanto ao comer das coisas sacrificadas aos ídolos, sabemos que o ídolo nada é no mundo e que não há outro Elohim, senão um, só".

É verdade que a Igreja do primeiro século, vivia sem uma teologia sofisticada e não era formada por uma ortodoxia1 central e todo-poderosa.

1Ortodoxo: aquele que é rígido em suas convicções, que está conforme uma doutrina definida. Nós podemos assumir uma posição ortodoxa em qualquer domínio.

Com certeza, os primeiros crentes não formularam nenhum conceito de trindade – reconheciam Yeshua (Jesus, o Messias) como Salvador e também como Divino. O profeta Isaias declara:

Isaías 9:6 - "Porque um menino vos nasceu, um filho se nos deu; o principado está sobre os seus ombros, e o seu nome será: Maravilhoso, conselheiro, Elohim, forte, Pai da Eternidade, príncipe da paz".

Miquéias 5:2 - "Mas tu, Belém Efrata, posto que pequena entre milhares de Judá, de ti me sairá àquele que há de reinar em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade".

Colossenses 2:9 - "Pois Nele habita corporalmente toda a plenitude da Divindade".

Hebreus 1:3 - "O filho é o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder. Havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas".

Não há como explicar com palavras humanas essa unidade: Pai, Filho e Espírito Santo, pois envolve uma dimensão do conhecimento e da verdade que as nossas mentes não conseguem atingir. Mas na "... Fé temos a certeza das coisas que se esperam e a prova das coisas que não se vêem. Foi por ela que os antigos alcançaram bom testemunho." (Hb 11:1-2)

Portanto, qualquer debate a respeito da trindade, é ineficaz, pois, como já comentamos nem o termo trindade é encontrado no Segundo Testamento. Devemos procurar seguir o conselho de Paulo a Timóteo.

I Timóteo 1:4 - "Não se ocupasse com fábulas ou genealogias intermináveis, que antes produzem controvérsias do que o serviço de Elohim na fé".

A Congregação Rechovot tem buscado empregar toda diligência para fazer conforme o modelo da Igreja do primeiro século; sabendo que deixamos muito a desejar no que tange a satisfazer completamente o som perfeito, porém, avançamos por fé "... para ver se de alguma maneira posso incitar ao ciúme os da minha carne, e salvar alguns deles". (Rm 11:14)

Marcos 12:29- "Ouve, o Israel, o Eterno nosso Elohim é o único".

POR QUE OS JUDEUS NÃO ACREDITAM EM JESUS?

Uma resposta judaica messiânica


 

www.haazinu.com.br


 

Circula pela Internet um artigo do Rabino Shraga Simmons (Aish.com), onde se apresentam os pontos pelos quais, segundo o mesmo, os judeus não acreditam em Jesus. Este artigo é uma resposta Judaica Messiânica aos argumentos propostos pelo referido artigo.


 


 


 

Entre o Judaísmo e o Cristianismo


 

Qualquer judeu que comece a ler os escritos do chamado "Novo Testamento", perceberá    (apesar    de    alguma    adições    cristãs    posteriores    anti-semitas, substitucionistas e trinitarianas), que se trata de escritos judaicos, falando sobre problemas judaicos sobre a relação judeus-gentios. Não se fala em Cristianismo, e sim em Judaísmo. Não são uma instituição chamada Igreja Católica (como surge no inicio do século II, com o bispo gentio Inácio de Anquioquia), e sim uma seita (partido) do Judaísmo. A seita dos Notzrim (Nazarenos – At 24.5) ou seita do Netivyah (Caminho de D'us – At 18.27; 22.4;

24.14).


 

Além de judeus, todo os primeiros discípulos do Rabi Yeshua HaNotzri eram zelosos da Torá (At 21.20). E mesmo o tão mal interpretado Rav Shaul (a quem por conveniência vocálica, os gentios chamavam de Paulo), era zeloso da Torá e jamais pregou contra a mesma (At 21.20-24). O que Rav Shaul condena é o legalismo e a idéia de que praticas exclusivamente rabínicas ("Obras da Lei" – Ma'assei HaTorá) fazem com que o judeu se torne justo.


 

"O mais estranho é que nas fontes rabínicas primitivas, até o fim do século II, nada se diz contra a pessoa de Jesus ou contra a fé que ele fizera surgir. Até mesmo o argumento de que ele era um feiticeiro só aparece mais tarde (Mt

12.24 e trechos paralelos não parecem ser decisivos). Antes somos informados apenas de que alguns rabinos se opuseram ao exorcismo em seu nome" (FLÜSSER, 2002, p. 185)


 

Mesmo quando o Cristianismo surgiu, provavelmente como resposta às medidas ofensivas do Beit Din de Yavne em relação à comunidade messiânica, entre o final do século I e início do II (e que cedo se ramificou em muitos grupos distintos), os judeus que criam em Yeshua o rejeitaram radicalmente, como a própria historia do Cristianismo testemunha:


 

"Mas estes sectários... não se chamavam de cristãos - mas de 'nazarenos'... contudo, são simplesmente judeus completos. Eles não só usam o Novo Testamento como também o Antigo Testamento, como o fazem os judeus... Eles não possuem diferentes idéias, mas confessam tudo exatamente como a Torá descreve e na forma judaica - exceto, porem, por sua crença no Messias. Pois eles reconhecem tanto a ressurreição dos mortos quanto a criação divina de todas as coisas, e declaram que D'us é Um, e que Seu Filho é Yeshua o Messias. Eles são bem treinados no hebraico. Pois dentre eles a Torá inteira, os Neviim (Profetas) e... os Chetubim (Escritos)... são lidos em hebraico, como certamente o são entre os judeus. Eles são

 

diferentes dos judeus, e diferentes dos cristãos, apenas no seguinte: Eles discordam dos judeus porque chegaram à fé no Messias; mas como eles ainda estão na Torá - circuncisão, o Shabat, e o restante - eles não estão de acordo com os cristãos... eles não são nada mais do que judeus... Eles possuem as Boas Novas de acordo com Mattityahu completamente em hebraico. Pois está claro que eles ainda preservam-nas no alfabeto hebraico, tal qual foram escritas originalmente." (Epifânio; Panarion 29)


 

Ou seja, em relação ao Cristianismo (que tem origem fora da Comunidade Judaica) o artigo do Rabino Shraga Simmons está correto. Os judeus fieis à D'us sempre rejeitaram, e sempre rejeitarão o Cristianismo, pois o mesmo não é adequado para judeus. E é justamente neste ponto que reside o problema, pois Yeshua e seus discípulos não criaram o Cristianismo 1. Yeshua e seus discípulos pregaram o Judaísmo! Eles não fundaram uma religião. Era o mesmo Judaísmo que seus contemporâneos! Entretanto haviam podres no Judaísmo Antigo que precisavam ser denunciados, haviam mentiras que precisavam ser erradicadas, haviam idéias estranhas à Torá que precisavam ser rejeitadas. E isso é o que o Judaísmo pregado por Yeshua e seus Shelichim fez, buscar a restauração do Judaísmo pregado por Moshe, Ezra e os profetas.


 

Como vemos, o Judaísmo Antigo (que não é igual ao Judaísmo Ortodoxo Moderno em muitos pontos) não fez oposição radical aos judeus messiânicos (termo moderno para designar os da ramificação do Judaísmo que crê em Yeshua). Grande parte destes eram fariseus, rabinos de destaque. E não eram poucos, pois entre o final do século I e o início do século II, chegaram mesmo a propor a inclusão de um "evangelho" no cânon oficial da Bíblia Hebraica (BRUCE, 1990, p.133).


 

Fica claro, portanto, que o Cristianismo não é a fé dos discípulos de Yeshua, e sim uma fé posterior que, embora guarde vestígios e essências da pregação dos discípulos, nasceu num contexto gentílico e em geral (embora não em absoluto) anti-semita. Yeshua e seus discípulos ensinavam o Judaísmo. Freqüentavam as Sinagogas Judaicas, estudavam e praticavam a Torá, viviam a fé dada por D'us por meio de Moisés. Tanto eram zelosos da Torá e das boas tradições, que até o final do século II, não há absolutamente nada contra os mesmos nas fontes rabínicas. Este é o testemunho do Judaísmo a respeito destes judeus, falsamente acusados pelo Judaísmo Moderno de abandonar o Judaísmo.


 


 


 

Refutação dos Argumentos Equivocados


 


 


 

1. JESUS NÃO PREENCHEU AS PROFECIAS MESSIÂNICAS


 

Para começarmos a conversa, é bom destacar de inicio que as fontes rabínicas antigas concordam com praticamente todas as citações das profecias feitas


 


 

1 Embora se sendo corrigidos os equívocos teológicos e removendo raízes pagãs, seja uma forma de prática religiosa legítima e perfeitamente cabível para os discípulos gentios, pois estes não tem compromisso com a Torá integral.

 

nos escritos da Brit Chadasha (Novo Testamento). Esta é a parte que os rabinos ortodoxos não gostam de citar: que a tradição judaica tem margem para a apologia do Judaísmo Messiânico como legitima ramificação do Judaísmo, incluindo suas alegações sobre o Mashiach.


 

Se examinarmos as passagens do Tanach (equivocadamente chamado de Antigo Testamento pelos cristãos) apontadas como messiânicas, contaremos mais de 456. E a aplicação messiânica das mesmas é apoiada por mais de 558 referências    nos    escritos    rabínicos    mais    antigos...    Todas    as    principais suposições da Brit Chadashá referentes ao Mashiach são amplamente apoiadas pelas declarações rabínicas!


 

O que a Torá diz, e o que os rabinos entendiam sobre a natureza da manifestação do Messias?


 

Daniel (7.13,14) diz:

"Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e vi que vinha nas nuvens do céu um como o filho do homem. Ele se dirigiu ao Ancião de Dias, e o fizeram chegar até ELE. Foi-lhe dado o domínio, a honra e o reino; todos os povos, nações e línguas o adoraram. O seu domínio é um domínio eterno, que não passará, e o seu reino é o único que não será destruído".


 

Mas Zachariah (9.9) diz:

"Alegra-te muito, ó Filha de Sião! Exulta, ó filha de Jerusalém! Vê! O teu rei virá a ti, justo e Salvador, humilde, montado em jumento, num jumentinho , filho de jumenta."


 

Mas isso parece uma contradição! Como? Rabi Yehoshua Ben Levi também percebe tal contradição, e procura a solução do mistério (TB San'hedrin 98a):


 

"Rabi Alexandre disse: Rabi Yehoshua Ben Levi apontou uma contradição. Como está escrito, em seu tempo [o Messias virá], enquanto também está escrito, Eu [o Senhor] apressarei isto! — se eles merecem, Eu apressarei isto: se não, [Ele virá] no seu devido tempo. Rabi Alexandre disse: Rabi Yehoshua opôs dois versos: como está escrito: E vede, um como o filho do homem sobre as nuvens do céu enquanto [de outro modo] está escrito: [vede, Seu Rei vem a ti…] humilde e montado sobre um jumento — se eles merecem, [Ele virá] nas nuvens do céu; se não, humilde e montado sobre um jumento."


 

Como vemos isso é uma questão levantada no Judaísmo. Estas manifestações do Mashiach são denominadas no Judaísmo Antigo como "Mashiach Ben- Yossef" e "Mashiach Bem-David". Isso não é cristão! Isso é Judaísmo. E exatamente por isso, um judeu que crê que em Yeshua como Mashiach, continua tendo uma fé plena e puramente judaica.


 

Então Yeshua cumpriu tudo que o Mashiach deveria atingir? Como Mashiach Ben-Yossef, sim! Cumpriu como nunca em toda a história do povo judeu, qualquer candidato à Mashiach conseguiu cumprir.


 

Como podemos ver o argumento moderno de que as citações apontadas como messiânicas no Tanach são equívocos de interpretação, não eram vistas desta

 

forma pelos antigos rabinos, guardadores da legítima tradição judaica, que usavam o mesmo método (judaico) presente nos escritos da Brit Chadashá.


 

Se é ignorância ou hipocrisia de muitos rabinos em relação a estas coisas, não podemos afirmar. Entretanto temos rabinos ortodoxos, como Jacob Neusner, que mesmo sem crer em Yeshua, reconhece a plena judaicidade dos Escrito da Brit Chadashá, bem como a autenticidade judaica do Midrash usado na mesma (NEUSNER, 1993).


 

Como sabemos o PARDES é a tradicional "exegese rabínica" desde tempos antigos, e os rabinos que negam o PARDES, negam a legítima tradição judaica, e por conseqüência, negam o autêntico Judaísmo. Recomendo aos judeus que desconhecem o PARDES, que façam uma pequena pesquisa sobre o mesmo antes de criticar os judeus que crêem em Yeshua.


 

Neste ponto, concordamos plenamente com a afirmação "O fato histórico é que Jesus não preencheu nenhuma destas profecias messiânicas", pois os quatro pontos que o Messias deveria atingir (conforme o referido artigo) dizem respeito à vinda de Mashiach como Ben-David, e não como Ben-Yossef. Isso obviamente não causava nenhum espanto entre os antigos rabinos, pois embora não crendo em Yeshua, criam nas mesmas profecias, conforme a mais pura tradição rabínica.


 


 


 

2. CRISTIANISMO CONTRADIZ A TEOLOGIA JUDAICA


 

Embora seja difícil dizer "Cristianismo" (o certo seria dizer "Cristianismos", mas isso causaria ainda mais confusão), devido à pluralidade de crenças e prática que envolveu a nomenclatura no decorrer dos séculos, consideremos as crenças comuns aos grupos como sendo o "Cristianismo". Assim considerando, neste    ponto    concordamos    parcialmente        com    o    referido    autor,    pois    o CRISTIANISMO, de fato, contradiz muitos pontos fundamentais da teologia judaica. Mas também não podemos negar que ele guarda muitos pontos da teologia    judaica    abandonados    pelo    Judaísmo        Moderno.    Entretanto, independente destas questões, como já explicamos, os judeus messiânicos surgiram antes do Cristianismo e não tem, nem nunca tiveram qualquer relação direta com a origem e institucionalização do mesmo. O que o Cristianismo estabeleceu em seus Concílios, Credos, Confissões, ou o que quer que seja não tem absolutamente nada a ver com o Judaísmo Messiânico.


 

a - D'us em três?


 

O problema aqui é justamente que os escritos da Brit Chadasha não afirmam que exista uma trindade. O texto citado sobre "o Pai, o Filho e o Espírito Santo" (Mt 28.19), segundo o brilhante pesquisador judeu, David Flüsser, é uma inclusão feita por Eusébio na tradição textual, forçada pela Igreja Católica (fundamentalmente    por    meio    de    Atanásio),    por    ordem    de    Constantino (FLÜSSER, 2001, p. 156). Assim como este texto, todas as referências onde se defende a trindade nos escritos da Brit Chadasha (NT) são adulterações de

 

códices católicos ou são equívocos de interpretação por se ignorar o contexto judaico.


 

Interessante é que a própria Igreja Católica antes do Concílio de Nicéia, de forma    geral,    não    cria    na    trindade.    Segundo    o    teólogo    judeu    Richard Rubenstein, "Ário contava com o suporte de quase todos os bispos orientais, inclusive    com        aqueles     que    tinham     a    reputação     teólogos    renomados" (RUBENSTEIN, 2001, p. 87). Com isso vemos que os trezentos bispos reunidos por Atanásio para afirmar a deidade de Jesus não eram tão significativos como afirma a Igreja Católica, pois quase todos os bispos eram contrários à Doutrina da Trindade. Para melhor entendimento, leia "Quando Jesus se tornou Deus" de Richard Rubenstein.


 

É bom destacar aqui um texto muito citado e muito pouco entendido: "No princípio era o verbo, e o verbo estava com Deus e o verbo era Deus" (Jo 1.1). Mas para evitar equívocos, passemos para uma linguagem mais judaica: "No princípio era o Memra, e o Memra estava com Elohim, e o Memra era Elohim". Se entendemos como os antigos rabinos entendiam o Memra, não há qualquer trindade aqui. A voz, a palavra de Elohim é vertida para o aramaico como Memra pelos antigos rabinos. Sempre aparece na Torá: "A Memra de Yah falou a Moshé". Mas não era D'us que falava com Moshé? Então a Memra de Yah, era Yah falando. Mas a Memra de Yah estava com Yah, e não era a mesma pessoa, ou o mesmo ser. A Memra de Yah falava em nome de D'us, a Memra de D'us falava sua vontade, portanto quando ouvíamos a Memra, ouvíamos D'us. Isso todos os antigos rabinos sabiam, entendiam, e ensinavam. Esta "representação" não é trindade, e sim um conceito conhecido no Judaísmo Antigo. Yohanan simplesmente diz o que todos os antigos rabinos diziam, que o Mashiach é o Memra de Yah. Isso não contradiz o Shemá e ainda confirma a Torá e o Tanach: "Mas em Memra de IHVH toda a descendência de Israel será justificada." (Targum Yonatan para Isaías 45:25)


 

Para decepção dos trinitarianos, o próprio Yeshua afirmou que "a vida eterna é esta: que conheçam a Ti, [oh Pai], o Único D'us verdadeiro, e a Yeshua HaMashiach, a quem enviaste" (Jo 17.3). Quando se diz Único, excluímos todos os outros!


 

Entretanto, se por um lado o Trinitarianismo Popular corre sérios riscos de idolatria, por outro lado o Trinitarianismo Histórico (embora bastante distinto do Judaísmo e estranho ao mesmo), não pode ser considerado idólatra dentro da teologia judaica.


 

"As Doutrinas da Encarnação e Trindade são descritas no pensamento judeu como Shittuf: 'participação' ou 'associação'. O cristianismo é visto como ensinando que Yeshua 'participa' da divindade que por direito pertence somente a Deus (i.e. na terminologia cristã, somente a Deus Pai); um ser humano é erroneamente elevado à posição de Deus e como tal venerado. Na Idade Média, as opiniões entre os escritores judeus dividiram-se entre isto constituir ou não idolatria; hoje com certas exceções, os pensadores judeus concordam em que Shittuf não impede o cristianismo de se uma religião monoteísta, não-idólatra" (STERN, 1989, p. 85)

 

b - Um homem como deus?


 

O que os cristãos acreditam ou deixam de acreditar, diz respeito a eles. Yohanan (João) transcreve a palavra de Yeshua: "Eu e o Pai somos um" (Jo

10.30). Qual o problema? No casamento não se diz que o homem e a mulher se tornam um? E os dois deixam de ser distintamente quem são? Yeshua está dizendo que ele e o Pai são um no propósito, pois o Filho revela em suas práticas, a vontade do Pai. Isso não é trindade! Mais interessante ainda é que um pouco adiante no livro, Yeshua diz ora para que aqueles que crerem nele sejam UM com o Pai assim como Ele é um (Jo 17.20, 21). Então temos uma "trindade" de milhares ou milhões? Acho que temos é um grande equivoco interpretativo aqui.


 

Quando Yeshua é acusado de se fazer D'us, ele responde num contexto puramente do Tanach, citando Tehilim (82), onde os juizes são chamados de Elohim. Estão exercendo um atributo de Elohim (julgar) e são chamados de Elohim. Isso não os torna Adonai Elohenu, ou torna? Ser divino é possuir atributos divinos, que podem vem de HaShem. O Mashiach é uma Emanação do Eterno, e não propriamente o Eterno.


 

c - Um intermediário para a oração?


 

Confessar para padres é algo exclusivamente católico, e jamais existiu tal coisa no Judaísmo pregado pelos discípulos de Yeshua. Então não precisamos nem argumentar a respeito. Já a citação "ninguém vem ao Pai a não se por mim", é uma citação que deve ser entendida dentro de seu contexto.


 

Se Yeshua era o Memra de Yah, então suas palavras eram os ensinos da Torá. Ele diz: "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida" (Jo 14.6). Mas nós sabemos que a própria Torá se diz Caminho, Verdade e Vida. Então o que ele queria dizer? Simplesmente: Eu sou a encarnação da Torá, eu sou a Torá encarnada. E isso é algo bem conhecido no Judaísmo Antigo. Então em outras palavras Yeshua esta dizendo: "ninguém vem ao pai a não ser por sua Torá, e eu ensino com fidelidade à Torá. E mais, eu fui a voz e palavra de D'us ao dar a Torá no Sinai. Nenhum de vocês irá ao Pai a não ser por meio do que o Pai falou por meio de mim".


 

Mas apesar desta citação ser inexata, existe mediação em alguns casos. O Dr. David Stern afirma:


 

"Os judeus supõem que são cristãs as idéias de reparação vicária e mediação entre Deus e o homem, mas são totalmente judaicas, ilustradas no Tanakh pelos sacrifícios de animais e os sacerdotes respectivamente." (STERN, 1989, p. 89).


 

Yeshayahu diz: "Mas as vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso D'us, e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que não vos ouça" (Is 59.2). Se há pecado, e não há acesso, há necessidade de um mediador, que remova o pecado e libere o acesso ao pai. Então é por meio desta mediação que é dito: "D'us está perto de todos que clamam por Ele"

 

(Tehilim 145:18). Pois, como estaria perto quando há iniqüidade? Podemos então chamar de idolatria um conceito judaico que tem suas raízes no Tanach?


 

No Machzor, no serviço de Mussaf para Yom Kippur, lemos uma oração conhecida como Az Milifnei Brechit, onde se diz:


 

"Fomos exilados de nossa terra e removidos para longe do nosso solo natal por causa dos nossos pecados. Agora não podemos desempenhar nossas atividades na Casa que escolheste e no esplendoroso e santo Templo, sobre o qual o Teu Nome foi evocado, por causa da mão que estava estendida contra o Teu Santuário.'


 

"Nosso justo Messias afastou-se de nós; o horror tem se apoderado de nó e não temos quem nos justifique. Ele suportou o jugo de nossas iniqüidades e nossas transgressões e é ferido por nossas transgressões. Ele leva os nosso pecados sobre seus ombros para obter perdão das nossa iniqüidades.'


 

"Seremos curados por suas feridas quando o Senhor o fizer uma nova criação. Oh, Senhor, levanta-o dede Seir, para congregar-nos mais uma vez sobre o Monte do Líbano, pela mão de Yinon"


 

Segundo o Talmud (TB San'hedrin 98b) Yinon é um nome do Messias. Será que o Judaísmo não crê na mediação? Ou será que os rabinos modernos querem que ele não creia? O Machzor (conferir o Machzor Rosh HaShanah e Yom Kippurim, publicado pela Hebrew Publishing Company, NY), agora na parte referente ao Rosh HaShaná, ainda conta com outra oração que aponta para outro nome do Messias:


 

"Que seja agradável na Tua presença que o tocar (do Shofar) que tocamos... Seja aceito pela mão de Eliyahu, cuja memória seja abençoada pela mão de Yeshua, o príncipe da Face (presença)... Bendito és Tu, Senhor das Misericórdias"


 

Durante séculos os judeus ortodoxos tem feito esta oração. E muitas outras semelhantes a estas são feitas. O Judaísmo não crê em mediação? Então não estamos falando do Judaísmo do Talmud, nem do mesmo Judaísmo do Sidur, nem do Machzor e muito menos do Judaísmo da Torá e dos Profetas.


 

d - Envolvimento no mundo físico


 

Neste ponto não precisamos argumentar, pois Judaísmo Messiânico é Judaísmo. O argumento aqui é contra um conceito exclusivamente do Cristianismo. Os conceitos do Tanach devem ser mantidos na Brit Chadasha, pois a Brit Chadasha nada mais é que a Torá escrita nos corações (Jr 31.31 ss).


 


 


 

3. JESUS NÃO PERSONIFICA AS QUALIFICAÇÕES PESSOAIS DO MESSIAS


 

Sabemos que os conceitos de Messias não eram uniformes no decorrer da história do Judaísmo e que o conceito atual de Messias no Judaísmo Ortodoxo desenvolveu-se com objetivo de refutar a messianidade de Jesus (não digo

 

Yeshua, pois no século I e II, quando Yeshua era anunciado dentro do Judaísmo, não havia este problema entre os judeus). Entretanto, alguns pontos originais foram mantidos no Cristianismo, embora em uns pouco e outros mais distorcidos. E estes ganharam opositores dentro do Judaísmo. Estes opositores mudaram o conceito de Messias que existia no Judaísmo Antigo, que ainda era pregado mesmo na era talmúdica, como podemos verificar ao ler tratados como o de San'hedrin.


 

a - Messias como profeta


 

Quem define o tempo da Profecia é D'us e não o povo. Se alguém apresentar as qualificações de profeta, este alguém é um profeta independente de interpretações equivocadas feitas por algum Rabino. Bem afirmou Maimônides que "Há tantas opiniões diferentes sobre Profecia, como a respeito da Eternidade ou Não-Eternidade do Universo" (MAIMONIDES, 1995, p. 13). Assim sendo o que vai além da Torá não pode ser afirmado categoricamente como sendo a posição oficial do Judaísmo.


 

Na Torá D'us afirma que levantaria um profeta semelhante à Moshe dentre seus irmãos (Dt 18.15). Isso significa que a profecia de Mashiach deve ser como a de Moshé e não como a dos profetas nos quais D'us fala por visão ou sonho (Nm 12.16).


 

Qual a diferença entre a profecia de Moisés e a dos outros profetas? Em todos os [outros] profetas [um discernimento divino lhe é concedido] num sonho ou visão. Moisés, nosso mestre, se encontrava desperto quando profetizava, como está escrito [Nm 7.89]: "Quando Moisés entrava na tenda da Assinação para falar com Ele [D'us], ouvia a Voz falar com ele"


 

[...]


 

Todos os outros profetas não podem profetizar quando querem. Moisés, nosso mestre, era diferente. Quando desejava, o Espírito Sagrado o envolvia, e a profecia recaia sobre ele. Ele não precisava se concentrar nem se preparar [para a profecia], porque [sua mente] estava centrada e pronta [para apreciar a verdade espiritual] como os anjos. (MAIMONIDES, 1995, pg.

35, 36)


 

Mas como sabemos ser alguém um profeta? Quais as qualificações? Maimônides explica:


 

Nem todos os que realizam prodígios ou milagres devem ser aceitos como profetas: apenas aquele indivíduo que já sabemos de antemão ser capaz para a profecia; i.e., sua sabedoria e suas [boas] ações superam as de todos seus contemporâneos. Se ele segue os caminhos da profecia em santidade, separando-se dos assuntos mundanos, depois realiza um milagre ou prodígios e afirma que foi enviado por D'us, é uma mitzvá escuta-lo, como [Deuteronômio 18.15] está escrito: "A ele ouvireis" (MAIMONIDES, 1995, p.

37)


 

Não há acusações contra Yeshua até o final do século II nas fontes rabínicas, e isso por si já serve por testemunho a seu favor. Sua sabedoria era e é notavelmente reconhecida, bem como suas boas ações. Sua prática da Torá era condenada por fariseus hipócritas, e não pelos fariseus idôneos. O próprio

 

Rabban Gamaliel, neto de Hillel, não se manifestou contra o Judaísmo ensinado por Yeshua e vivido por seus discípulos (At 5.34-40). Yeshua tinha todos o requisitos para ser um profeta, e isso só pode ser negado por alguém que nunca o estudou com sinceridade.


 

b - Descendente de David


 

Ainda que se diga que o Messias deve ser descendente de David pelo lado paterno, isso não apresenta qualquer problema. Nunca houve no Judaísmo Antigo qualquer oposição ao fato de Yeshua ser da Casa de David, e muito pelo contrário, segundo Joseph Klausner e muitas outras autoridades, a expressão Mecurav Le'Malchut aplicada a Yeshua no Talmud demonstra que ele era da Casa de David.


 

O fato de uma virgem conceber foi indagado pela própria Miriam (Maria), quando noiva de Yossef (Lc 1.34) e o anjo disse que "para D'us nada é impossível" (Lc 1.37). Em tempos modernos onde existe a inseminação artificial não deveria causar espanto o fato de uma virgem conceber e dar a luz. Os gens de Yossef certamente foram transportados pelo Ruach HaKodesh para o ventre de Miriam. Assim sendo, Yeshua era filho de Yossef, e descendente do lado paterno de David. Em Mattityahu (Mt) está sua genealogia natural, e em Lucas por levirato, como era feito no Templo de Jerusalém.


 

Por volta do ano 200, Sextus Julius Africanus informa que eram "mantido guardados os registros da genealogia da família de Davi com muito cuidado" na cidade de Nazaré (História da Igreja 1.7.14). Estes registros eram iguais aos do Templo e certamente muitos, senão todos os inimigos de Yeshua tiveram acesso aos mesmos, pois que prova melhor podemos querer contra um candidato à Mashiach que não pertencer legitimamente à Casa de David? Mas nada se testemunha contra tal fato: Yeshua era da Casa de David.


 

c - Observância da Torá


 

A não ser com equívocos de interpretação ou adulterações em manuscritos, os escritos da Brit Chadasha não contradizem a Torá e nem afirmam que a Torá não se aplica mais. O ponto em questão é o que o Cristianismo (como instituição) fez com a Brit Chadasha, e não o que ela é por si mesma. Pesquisadores judeus como David Flüsser, Joseph Klausner, Geza Vermes, Yehuda Liebes, Shmuel Safrai e outros que realizaram trabalhos excepcionais sobre a ótica judaica do "Novo Testamento", removendo muito do lixo que se acumulou no decorrer dos séculos. Pesquisadores excepcionais como o Rav Joseph Shulam, do Netivyah Bible Instruction Ministry – Jerusalém, certamente podem    esclarecer    facilmente    todos    os    pontos    controvertidos    e    mal interpretados.


 

Yeshua nunca foi acusado de violar a Torá nos primeiros séculos, então, qual autoridade rabinos posteriores que se defendiam do Cristianismo (e não do Judaísmo Messiânico) tem para testemunho? Examinem corretamente a Brit Chadasha e verão que Yeshua cumpriu e ensinou cumprir a Torá em sua forma mais pura e inequívoca.

 

4. VERSÍCULOS BÍBLICOS "REFERINDO-SE" A JESUS SÃO TRADUÇÕES INCORRETAS


 

Nas Bíblias Cristãs há certamente muitas traduções incorretas. Mas isso não é pior que os erros e inserções nas traduções Judaicas tradicionais. Textos onde todas as fontes rabínicas antigas atestam um sentido são traduzidos de forma claramente errada ou com interpolações estranhas, simplesmente para refutar as possibilidades de uma messianidade de Yeshua.


 

a - Nascimento virgem


 

A crença de que o Messias nasceria de uma virgem não é cristã, mas exclusivamente judaica. Em 250 AEC os 72 sábios rabinos que traduziram a Bíblia Hebraica para o grego (LXX, a Septuaginta) verteram almah do hebraico para parthenos, que significa virgem. Isso exatamente porque compreenderam que o aspecto da profecia onde almah significava "mulher jovem em idade de casamento" já havia se cumprido, e agora esperavam pelo seu cumprimento mais profundo: o nascimento do Messias.


 

O fato de muitas tradições antigas falarem sobre um nascimento virginal de um filho de Deus não atesta uma influência e sim uma revelação original que se deturpou entre os outros povos. A idéia pagã mostra um background onde se esperava universalmente um redentor. Um que já havia sido prometido no Éden como descendente da mulher (Bereshit, Gn 3.15).


 

b - Crucifixão


 

O versículo em Tehilim 22.17(6), onde se diz "Eles furaram minhas mãos e pés" tem sua originalidade atestada pela LXX (cujo texto base é 1.200 anos mais antigo que o Massorético) e pelos manuscritos do Mar Morto (100 AEC). De acordo com os Rolos do Mar Morto a palavra hebraica no salmo é kaaru (atravessar) e não ka'ari (como um leão). Igualmente a Peshita Aramea confirma o mesmo texto, não deixando margem para um equivoco.


 

c - Servo sofredor


 

Novamente o conceito é judaico, e não cristão. Todos os rabinos antes de Rashi interpretam Yeshayahu (Is) 53 como se referindo fundamentalmente ao Messias.    Mesmo no capítulo 52, o Targum de Yonathan (século IV) afirma: "Eis, meu servo o Messias…".


 

Um dos grandes problemas em interpretar o texto como se referindo a Israel, é que Israel é citado no texto e o servo sofredor é uma terceira pessoa no mesmo. Até mesmo Maimônides aplica o texto ao Messias, e certamente fundamentado no Talmud:


 

Messias… qual é seu nome? Os Rabinos dizem, "leproso"; aquele da casa de estudo. (Rabino Yehuda Hanassi, o autor do Mishná, 135-200): seus alunos disseram o nome do Messias é "Cholaja" (o enfermo), porque diz; "certamente carregou nossas enfermidades..." (Isa.53,4). (TB Sanhedrin 98b)

 

Resumindo: o Judaísmo crê que Yeshayahu 53 diz respeito ao Messias, e todos os rabinos antes de Rashi jamais afirmaram o contrário. Não somente este texto, mas praticamente todos os indicados pela Brit Chadasha como messiânicos, e chamados de "equívocos" pelo Judaísmo Moderno. Se os rabinos modernos decidiram mudar a fé que recebemos por tradição de nossos pais, que pelo menos não menosprezem aquilo que recebemos dizendo não ser Judaísmo.


 


 


 

5. A CRENÇA JUDAICA É BASEADA NA REVELAÇÃO NACIONAL


 

Com milagres ou sem milagres, a tradição judaica testemunha a existência de Yeshua (embora de forma codificada e muitas vezes ofensiva). Os registros de seus discípulos podem ser confirmados por estudos de crítica textual, e são claramente judaicos. Eram amplamente conhecidos por judeus, não só em Israel, como na diáspora no século I. Um charlatão não teria gerado uma geração de discípulos zelosos da Torá (At 21.20), mas ao contrário, teria gerado iniqüidade no meio do povo. Se ensinar contra os abusos rabínicos da época fazia de Yeshua um "perversor", todos deveriam ser perversores no Judaísmo moderno hoje, pois continua havendo muito abuso pelos rabinos que se dizem guardadores da tradição judaica legitima.


 

Yeshua foi conhecido e reconhecido em todo Israel, e sua influência foi muito grande. Ele revelou-se nacionalmente, e foi reconhecido por muitos. Embora não para os que tinham ganância pelo poder e desejavam dominar as pessoas. Sem força e sem poder, Yeshua ganhou multidões que não só sofreram perseguição por levar sua mensagem como chegaram a morrer por ele. Sinceramente, ninguém morre por uma mentira. Ainda mais quando não ganha absolutamente nada, nenhum benefício, com isso.


 

A crença judaica é baseada na revelação nacional? Concordamos plenamente! E é segundo esta crença que Yeshua se manifestou na terra de Israel, entre seus irmãos israelitas.


 


 


 

6. JUDEUS E GENTIOS


 

O referido artigo diz: "O Judaísmo não exige que todos se convertam à religião". Exatamente! E foi exatamente isso que se discutiu no Beit Din dos Shelichim de Yeshua em Jerusalém, meados do I século EC.


 

Segundo o Rav Joseph Shulam, originalmente as leis noéticas eram apenas 3 mitzvot, e posteriormente que foram aumentadas para 7, pela halachá rabínica. Em Atos 15 encontramos 4, pois as outras 3 já eram seguidas entre os gentios a quem foi dirigida a orientação. Entretanto no decorrer das Epístolas vemos o testemunho das Sheva Mitzvot B'nei Noach.


 

É exatamente sobre esta não necessidade conversão ao Judaísmo que Rav Shaul (chamado entre os gentios de Paulo) fala na carta a certos prosélitos na Galácia (muito mal interpretada por quase todos). Ele diz abertamente que a

 

vida no Olam Habá independe de ser judeu ou gentio. E mesmo o judeu deve agir dentro da legalidade, porém sem legalismo, para não invalidar a graça de D'us. A conversão pregada pelos discípulos aos gentios era uma conversão à D'us e não ao Judaísmo. Os judeus deveriam permanecer como judeus, vivendo a Torá e mantendo sua fidelidade à Yeshua. Os gentios deveriam crer em D'us, reconhecer o Messias e viver simplesmente seus mandamentos, sendo livres para viver ou não conforme o Judaísmo.


 


 


 

7. TRAZENDO O MESSIAS


 

Certamente que quando Yisrael pratica a Torá está trazendo o Messias. Entretanto ouvir um profeta é uma mitzvá (Dt 18.15), e esta tem sido negligenciada em nome de uma "teologia judaica" não original.


 

Interessante é o testemunho do Talmud, que pode ser relacionado com Yeshua. No dia de Yom Kippur, pendurava-se um fio vermelho antes de entrar de entrar na Santidade das Santidades. Quando os pecados de Yisrael eram perdoados, este cordão se tornava branco. Nossos rabinos ensinaram que:


 

"Durante os últimos quarenta anos anterior da destruição do Templo, o fio escarlate não se tornou branco, nem brilhou o raio do sol mais ocidental, e as portas do Santo dos Santos se abriam por sua própria iniciativa. Por quarenta anos antes da destruição do Templo, o fio escarlate nunca se tornou branco, mas permaneceu vermelho" (TB Yoma 39 b)


 

Este testemunho do Talmud mostra que Yisrael não mais obteve perdão por meio dos sacrifícios no Templo desde 40 anos antes da destruição de Jerusalém. Isso é um testemunho judaico, numa fonte judaica, de que desde o tempo que Yeshua morreu, o perdão dos pecados não mais se concretizou por meio do serviço do Templo. Isso se harmoniza com o que foi anunciado por Yeshayahu, onde os pecados seriam perdoados por meio do sacrifício do Messias. E condiz com o que foi escrito aos judeus messiânicos na dispersão: "Não havendo pecado, não resta sacrifício pelo mesmo" (Hb 10.26).


 

Yeshua profetizou:

"Jerusalém, Jerusalém! Que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seu pintinhos debaixo das asas, e tu não quiseste! Agora a vossa Casa ficará deserta. Pois eu vos digo que dede agora não me vereis mais, até que digais: Baruch Habá B'Shem Adonai" (Mt 23.37-39)


 

 

E Hoshea diz:


 


 

"Porque os filhos de Yisrael ficarão por muitos dias sem rei, sem príncipe, sem sacrifício, sem coluna, sem estola sacerdotal ou ídolos. Depois tornarão os filhos de Yisrael, e buscarão ao Senhor seu D'us, e a David, seu rei. Virão tremendo ao Senhor e á sua bondade, nos últimos dias" (Os 3.4, 5)

 


 

Sim, a obediência à Torá trará o Messias. E a Torá diz: "a ele ouvireis"! (Dt

18.15)

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


 

BRUCE, F.F. Merece Confiança o Novo Testamento? 2ª Ed. Tradução de

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1990.


 

FLÜSSER, David. O Judaísmo e Origens do Cristianismo, vol. II. Tradução de

Reinaldo Guarany. Rio de Janeiro: Imago, 2001.


 

FLÜSSER, David. O Judaísmo e Origens do Cristianismo, vol. III. Tradução de

Reinaldo Guarany. Rio de Janeiro: Imago, 2002.


 

MAIMONIDES, Moises. Excerto sobre profecia & as lei dos reis. Tradução de

Alice Frank. São Paulo: Maayanot, 1995.


 

NEUSNER, Jacob e GREELEY, Andrew M. A Bíblia e Nós. Tradução de J. E. Smith Caldas – São Paulo: Siciliano, 1993.


 

RUBENSTEIN, Richard E. Quando Jesus se tornou Deus. Tradução de Marija

C. Mendes. Rio de Janeiro: Fisus, 2001.


 

STERN,    David    H.    Manifesto    Judeu    Messiânico.    Tradução    de    Áurea

Weissenberg e Teresinha Austregésilo. Rio de Janeiro: Edições Louva-a-Deus,

1989


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 

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